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OURO BRANCO: oposição relativiza a violência contra mulheres e crime sexual contra menores em troca de maioria na câmara; entenda

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Enquanto isso, a adolescência vítima do então vereador de oposição enfrenta consequências profundas: tratamento psiquiátrico, uso contínuo de medicação e, segundo relatos, tentativas contra a própria vida após o trauma.

A política no município de Ouro Branco–RN segue na contramão do restante do mundo no enfrentamento à violência contra mulheres e crimes sexuais contra menor de idade. Em nome do poder, o grupo de oposição passou a relativizar esses tipos de crimes — desde que cometido por aliados e que sejam capazes de oferecer vantagem política.

Na última quinta-feira (17/04), a Câmara Municipal de Ouro Branco deu posse ao vereador Kleginaldo Medeiros, do Partido Progressista (PP), em um movimento apontado como resultado de um acordo político entre o parlamentar e o grupo da ex-prefeita Fátima Silva. A chegada foi amplamente celebrada pela bancada de oposição e por apoiadores do grupo da ex-gestora, garantindo à oposição a maioria no Legislativo com a adesão do novo aliado.

Kleginaldo, que antes integrava o grupo situacionista, acabou sendo deixado de lado durante a campanha de 2024 após o processo vir à tona. Atualmente, ele figura como réu em uma ação criminal que tramita em segredo de justiça, envolvendo acusação de crime sexual contra sua cunhada, que tinha apenas 14 anos à época dos fatos.O parlamentar que chegou para reforçar a bancada da oposição na câmara, já foi alvo de medidas protetivas por agredir fisicamente sua esposa.

Como primeiro ato, Kleginaldo votou pela aprovação das contas da ex-prefeita Fátima Silva, ignorando as recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em clara sinalização de cumprimento do acordo firmado entre as partes.

A justificativa apresentada por alguns vereadores da oposição é de que o processo teria sido arquivado e que o réu, no caso o vereador Kleginaldo Medeiros, teria sido absolvido — o que não corresponde à realidade.

Um fato estarrecedor é que, no grupo de oposição, há uma vereadora ex-conselheira tutelar e familiar da vítima, eleita justamente com a bandeira da defesa das crianças e adolescentes, que passou a comemorar essa aliança como uma vitória política. Na prática, porém, o gesto representa uma derrota para toda a sociedade ourobranquense — especialmente para mulheres, crianças e adolescentes.

A incoerência se torna ainda mais evidente quando se observa que a vereadora Maisa chegou a apresentar um projeto em homenagem às mulheres, ao mesmo tempo em que se alia a alguém acusado de agressão.

Outro ponto que chama atenção é que, na tentativa de defender o politico de estimação, até mesmo algumas mulheres, que relataram terem sido vítimas do mesmo acusado no passado, mas que não denunciaram à época, passaram a relativizar e normalizar a gravidade dos fatos.

O alerta é grave: quando a política relativiza a violência e a população aceita esse tipo de prática, abre-se espaço para o crescimento da impunidade e para a repetição desses crimes.

Mais do que maioria, Ouro Branco precisa decidir se continuará na contramão — ou se escolherá proteger suas vítimas e romper com a normalização da violência.

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