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‘Ditadura, barbárie e fascismo’: políticos e movimentos reagem à prisão de Jorge Glas

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Políticos e movimentos sociais reagiram com duras críticas neste sábado (6) à prisão do ex-vice-presidente do Equador, Jorge Glas. O político foi detido durante uma invasão da polícia equatoriana à embaixada do México em Quito, onde estava refugiado na condição de asilado político.

O ex-presidente do Equador e aliado de Glas, Rafael Correa, disse na rede social X que a prisão não tem precedentes na história da América Latina e chamou o governo do atual presidente Daniel Noboa, de extrema-direita, de “imoral” e “ignorante”.

“Nem nas piores ditaduras a embaixada de um país foi violada. Não vivemos um Estado de Direito, mas um ‘Estado de Barbárie’, com um homem improvisado que confunde a Pátria com uma das suas plantações de banana”, disse Correa, ao se referir ao pai do presidente Noboa, um grande empresário de produção de bananas.

“Responsabilizamos Daniel Noboa pela segurança e pela integridade física e psicológica do ex-vice-presidente Jorge Glas. Ao México, seu povo e seu governo, nossas desculpas e eterna admiração. Até a vitória sempre!”, acrescentou Correa.

Itamaraty repudia invasão à embaixada

O Ministério das Relações exteriores do Brasil condenou “nos mais firmes termos” a violação à embaixada mexicana em Quito.

“A ação constitui clara violação à Convenção Americana sobre Asilo Diplomático e à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas que, em seu artigo 22, dispõe que os locais de uma Missão diplomática são invioláveis, podendo ser acessados por agentes do Estado receptor somente com o consentimento do Chefe da Missão”, afirma nota do Itamaraty.

A chancelaria brasileira acrescentou que o episódio “constitui grave precedente, cabendo ser objeto de enérgico repúdio, qualquer que seja a justificativa para sua realização” e manifestou solidariedade ao governo mexicano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou a nota do Itamaraty em sua conta no X.

Rejeição de Evo Morales, López Obrador e Gustavo Petro

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, que havia concedido asilo político a Glas na embaixada mexicana em Quito, ressaltou que o ex-vice-presidente equatoriano enfrenta “perseguição e assédio”.

López Obrador, que determinou neste sábado (6) o rompimento das relações diplomáticas com o Equador, chamou a prisão de Glas de “violação flagrante do direito internacional e da soberania do México”.

Pela Colômbia, o presidente Gustavo Petro declarou na rede social X que o direito de asilo do político equatoriano foi “barbaramente violado” e prometeu acionar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em favor de Glas.

“A OEA (Organização dos Estados Americanos) e a Celag (Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica) devem reunir-se urgentemente para examinar a violação da Convenção de Viena por um Estado membro”, acrescentou o mandatário colombiano.

Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, exigiu que o governo boliviano siga o exemplo mexicano e declarou “total solidariedade” a Jorge Glas.

“O que o governo do Equador fez, violando a soberania territorial do México e o direito internacional, é muito grave. Exigimos que o governo da Bolívia suspenda as relações diplomáticas com o governo do Equador por esta afronta ao México, ao direito ao asilo e à integração latino-americana”, publicou Morales no X.

Esquerda equatoriana reage: ‘um ato fascista’

Políticos e organizações do campo progressista no Equador reagiram imediatamente à prisão de Jorge Glas.

Um comunicado nas redes sociais da Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie) chamou a violação da embaixada de “um ato fascista extremamente grave que ameaça as relações diplomáticas e o direito internacional (…)”.

“É preocupante observar como o governo autoritário e fascista do Equador usa a força para garantir seus troféus políticos. Esta violação flagrante não afeta apenas as relações bilaterais entre o México e o Equador, mas também envia uma mensagem perigosa à comunidade internacional”, prossegue a Conaie.

O episódio foi considerado inaceitável pela prefeitura da capital Quito e aliada de Rafael Correa, Pabel Muñoz, que chamou a prisão de “constrangimento global”.

“O que acabou de acontecer na Embaixada do México em Quito cria uma situação complexa para o Equador perante o sistema internacional e o direito. Há alguma dúvida de que Jorge Glas é vítima de terrível perseguição?”, disse Pabel Muñoz, que integra o Partido Revolução Cidadã.

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