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Bolsonaro usou imóvel de Nelson Piquet para guardar joias e outros ‘presentes’, diz jornal

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Um dos mais célebres e dedicados apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), o ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet manteve a lealdade até os últimos dias do mandato do ex-presidente. Segundo denúncia do jornal O Estado de S. Paulo, um imóvel de Piquet em Brasília se tornou depósito para “dezenas de caixas com pertences” que Bolsonaro “não queria entregar para a União” – incluindo joias.

Segundo o Estadão, dezenas de caixas com pertences do agora ex-presidente foram levadas para a casa do ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet.

Segundo apurou o jornal, as caixas enviadas contêm apenas itens de alto valor financeiro. Coisas pelas quais o presidente não tinha maior apreço, como cartas e livros, teriam sido enviadas para o Arquivo Nacional e a Biblioteca Nacional.

Em reportagem publicada nesta terça-feira (28), o Estadão revela que Bolsonaro enviou os supostos presentes para um local conhecido como “Fazenda Piquet”, na região do Lago Sul, uma das mais caras de Brasília. Os itens teriam sido enviados diretamente das garagens privativas do Palácio do Planalto e do Palácio da Alvorada.

O material, a princípio, sairia dos palácios presidenciais no dia 7 de dezembro, quando Bolsonaro enfim começava a lidar com a realidade da derrota na eleição presidencial. Entretanto, segundo apurou a reportagem do jornal, o envio das remessas atrasou, e só aconteceu em 20 de dezembro, dez dias antes de deixar o país e embarcar para os Estados Unidos sem passar a faixa ao sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Piquet foi procurado pela reportagem do Estadão, mas não respondeu. Apoiador ferrenho do hoje ex-presidente, ele participou de atos antidemocráticos, vociferou contra Lula e até mesmo fez as vezes de motorista particular do então presidente em eventos na capital federal.

Durante a disputa eleitoral de 2022, Piquet foi ainda o autor da maior doação feita por uma pessoa física à campanha de Bolsonaro: R$ 501 mil. Coincidência ou não, a empresa do ex-piloto, a Autotrac Comércio e Comunicações, que era contratada pelo Ministério da Agricultura, tinha recebido, meses antes, um aditivo contratual de cerca de R$ 6,6 milhões, sem licitação.

Em mais um episódio de sua carreira pós aposentadoria das pistas, Piquet foi condenado, na última semana, a pagar R$ 5 milhões depois de falas racistas e homofóbicas dirigidas ao piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton, durante entrevista a um canal na internet.

Edição: Nicolau Soares

BRASIL DE FATO

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