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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira da Noruega, declarou-se inocente de acusações de estupro nesta terça-feira (3), primeiro dia de um julgamento de grande repercussão que manchou a imagem da família real no país nórdico.
Nascido de um relacionamento anterior ao casamento de sua mãe, Mette-Marit, com o príncipe herdeiro Haakon, o homem de 29 anos pode enfrentar vários anos de prisão se for considerado culpado das mais graves das 38 acusações contra ele.
Høiby foi levado ao tribunal dois dias após ser detido sob suspeita de lesão corporal, porte de arma branca e violação de uma ordem de restrição. Vestindo calças verdes, suéter, sapatos brancos, óculos de grau grosso e um brinco, ele negou, murmurando, quatro acusações de estupro, feitas entre 2018 e 2024, e uma de violência doméstica.
Enquanto a promotoria detalhava as circunstâncias dos supostos estupros e agressões, o acusado, de cabeça baixa, gesticulava nervosamente com as mãos e as pernas.
Com o rosto impassível, declarou-se culpado por comportamento sexual ofensivo, excesso de velocidade e direção sem carteira de habilitação válida, entre outras acusações. Ele também disse que era parcialmente culpado, uma declaração permitida pela lei norueguesa, de agressão agravada e comportamento imprudente.
Os supostos estupros -um dos quais teria ocorrido durante férias com o príncipe Haakon nas Ilhas Lofoten, em 2023- teriam acontecido após relações sexuais consensuais, frequentemente em noites de bebedeira, quando as alegadas vítimas não estavam em condições de se defender, segundo a acusação.
A defesa criticou a “cobertura negativa da mídia” e os comentários que, segundo eles, contribuem para condenar seu cliente antecipadamente.
“Qual réu vê 10 mil artigos de imprensa escritos sobre ele?”, disse seu advogado, Ellen Holager Andenæs. “Nosso cliente absolutamente não recebeu tratamento normal”, continuou. “O julgamento deve ocorrer nesta sala de tribunal, e em nenhum outro lugar.”
Antes do início do julgamento, o promotor Sturla Henriksbø declarou à agência de notícias AFP que Høiby não seria tratado “com mais leniência nem com maior severidade” devido à sua ligação com a família real.
Høiby foi preso em 4 de agosto de 2024, sob suspeita de agredir sua companheira na noite anterior. Na ocasião, ele admitiu ter causado danos corporais à mulher enquanto estava sob efeito de cocaína e álcool após uma discussão e disse sofrer de “transtornos mentais” e lutar “há muito tempo contra o vício em drogas”.
A investigação policial revelou evidências de outros crimes, incluindo o suposto estupro de quatro mulheres que não puderam se defender, e que ele filmou em alguns casos.
No total, sete pessoas são consideradas supostas vítimas do filho de Mette-Marit. As identidades dessas pessoas permanecem protegidas, com exceção de Nora Haukland, modelo e influenciadora digital que falou publicamente sobre a violência que diz ter sofrido.
O príncipe herdeiro Haakon disse em um comunicado que ele e sua esposa não planejavam comparecer aos procedimentos judiciais. Sobre Høiby, afirmou: “Nós o amamos. Ele é uma parte importante da nossa família. Ele é um cidadão norueguês, então tem as mesmas responsabilidades que todos os outros, assim como os mesmos direitos”.
Haakon também se solidarizou com as supostas vítimas. “Pensamos nelas. Sabemos que muitas estão passando por um momento difícil”, disse ele.
Este é o pior escândalo que a família real norueguesa já enfrentou. O caso prejudicou a imagem da instituição, apesar da popularidade do rei Harald 5º e da rainha Sonja, ambos com 88 anos.
De acordo com uma pesquisa publicada na terça-feira pela TV2, mais de 70% dos noruegueses acreditam que a posição da monarquia se enfraqueceu nos últimos anos, que também foram marcados por outras controvérsias.
O processo ocorre dias depois de a mãe de Høiby pedir desculpas por manter contato com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein após a condenação dele, em 2008. As mensagens datam de 2011 a 2014, quando ela já era casada com o futuro rei da Noruega e Epstein já havia sido condenado, em 2008, a pouco mais de um ano de prisão por aliciar uma menor para prostituição.
“Demonstrei falta de bom senso e lamento profundamente ter tido qualquer contato com Epstein. É simplesmente vergonhoso”, declarou a princesa herdeira em um comunicado enviado à AFP pelo Palácio Real da Noruega.
O veredicto contra Høiby é esperado algumas semanas após o término do julgamento, marcado para 19 de março.
