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Mauricio Pestana: 21 de março, passado, presente e futuro

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O século XX foi marcado por enormes conflitos armados, duas grandes guerras mundiais, uma das quais, responsável pela morte de mais de sete milhões de judeus, mostrando a face nefasta do racismo institucionalizado na Alemanha de Adolf Hitler.

Com o fim do conflito, os acordos, tratados e protocolos assinados não foram capazes de frear a ideia de superioridade de raça no mundo, países como Estados Unidos e África do Sul continuaram com leis segregacionistas por décadas à revelia de tudo que havia sido proposto com o fim da era da Alemanha nazista.

O racismo, no século XX, edificou diferenças não só raciais, mas também sociais, e foi responsável pela morte e assassinato de diversas pessoas, muitas delas lideranças
políticas que ousaram combatê-lo, virando ícones da luta antirracista, como o reverendo Martin Luther King, Malcon X, Steve Biko e o maior deles, Nelson Mandela, que passou 28 anos na prisão e se tornou presidente da África do Sul.

Aquele século foi marcado por protestos, manifestações, passeatas e mortes, que não se limitaram apenas a países como África do Sul e Estados Unidos. No Brasil também negros foram às ruas denunciar o racismo e, em 1978, em pleno regime militar, ocuparam o centro da cidade para denunciar a Polícia Militar pelar morte de um jovem negro; nesse protesto, as escadarias do teatro municipal viram nascer o Movimento Negro Unificado (MNU).

Mas nada se compara ao que ocorreu em 21 de março de 1960, no massacre de Shaperville, em Johanesburgo, África do Sul.

Em meio ao regime do apartheid, mais de 20 mil negros e negras foram às ruas protestar contra a lei do passe que os obrigava a portar cartão de identificação, para que pudessem acessar algumas áreas da cidade. A polícia reprimiu a manifestação violentamente matando 69 pessoas e ferindo outras 186.

A eleição na África do Sul de Nelson Mandela, na última década do século XX, e a eleição de Barack Obama, nos Estados Unidos, no final da primeira década deste século,
trouxeram esperanças para a luta por igualdade racial no mundo. Perspectivas frustradas com o assassinato de George Floyd, que, mais uma vez, colocou milhares de pessoas em manifestações por todo o mundo.

O assassinato de Floyd mostrou que o racismo não respeita nem mesmo uma epidemia que matou milhões de pessoas em todo o mundo, independentemente de cor, raça ou nacionalidade.

O 21 de março, instituído em 1966 para lembrar os mortos e feridos de Shaperville, tem um significado especial nos dias de hoje, nos quais a humanidade passa por um momento parecido com aquele final dos anos de 1960, com guerras, conflitos, intolerância e obscurantismo retrógrado, de ideias medievais.

Celebrar uma manifestação de pessoas, que lutavam apenas para ocupar o mesmo espaço físico de uma cidade, nunca se fez tão necessário, chega a ser até um ato revolucionário no mundo de hoje, que olha para o futuro parecendo querer insistir em viver no passado

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