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Crédito, EPA/Shutterstock
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Tempo de leitura: 6 min
O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13/7) que os Estados Unidos irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos, alegando que o Irã violou um acordo firmado com os EUA.
Segundo Trump, o estreito permanecerá aberto, mas o controle americano impedirá que “navios iranianos ou seus clientes entrem ou saiam”.
O presidente também anunciou uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo estreito, mas não explicou como isso funcionaria. O dinheiro arrecadado, segundo Trump, seria para bancar a operação americana na via navegável essencial ao comércio de petróleo mundial.
“O Estreito de Ormuz está aberto, e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio ao Irã — assim chamado porque impede apenas que navios ou clientes do Irã entrem ou saiam”, escreveu o presidente americano, em publicação na sua rede social Truth Social.
“Os EUA serão, daqui em diante, conhecidos como ‘o guardião do Estreito de Ormuz’; no entanto, nessa condição — e por uma questão de Justiça—, serão reembolsados (à taxa de 20% sobre toda a carga transportada) por todos e quaisquer custos necessários para garantir a segurança e a proteção desta região do mundo, que é extremamente instável”, seguiu Trump.
Nesta segunda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu às medidas de Trump comparando a taxa de 20% com “pirataria”.
“Isso antigamente se chamava pirataria. Então, um Estado importante como os EUA, que eu acho que durante muito tempo combatia pirataria, não pode agora virar pirata”, disse Lula em discurso num evento.
Irã promete ‘humilhação ainda maior’ aos EUA
Em declaração à emissora Fox News nesta segunda, Trump anunciou que os EUA já estão “assumindo o controle do estreito” e que o Irã “não têm nada”.
Trump afirmou que os EUA atingiram o Irã “com muita força na noite passada”, referindo-se a uma série de ataques realizados pelo Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês) durante a noite contra instalações militares no país.
Ele acrescentou: “Nós os temos sob controle. Eles estão em retirada. A maior parte de seus equipamentos foi destruída. Seus sistemas antiaéreos foram eliminados.”
A embaixada do Irã no Reino Unido havia informado, mais cedo nesta segunda-feira, que estabeleceu um corredor marítimo seguro e temporário — “livre de barreiras técnicas e militares” — no estreito, mas que a agressão militar dos EUA transformou a via navegável em uma “zona de alto risco”.
O porta-voz do comando militar do Irã, Khatam al-Anbiya, afirmou que o país não permitirá que os EUA “interfiram na gestão” do Estreito de Ormuz.
Em um comunicado divulgado pela agência de notícias iraniana Tasnim, as Forças Armadas do Irã declararam que as “frequentes incursões” dos EUA no estreito “colocaram em sério risco a segurança da região”.
O comunicado acrescentou: “Não permitimos e não permitiremos” que os EUA controlem essa importante via navegável, e que as Forças Armadas do Irã estão lidando com quaisquer perturbações provocadas pelo “exército de bandidos” dos EUA.
Qualquer cooperação com os EUA será considerada um ato de “guerra” contra a soberania do Irã, acrescentou o comunicado, alertando que, se o conflito se alastrar, “as chamas da guerra consumirão todos os países da região”.

Petróleo em alta
Em outro comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim, um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que os EUA “comprometeram seriamente a segurança do abastecimento global de petróleo e gás” ao interferir no Estreito de Ormuz.
A declaração acrescenta que o Irã continua a controlar o estreito e “forçará as potências estrangeiras e seus aliados a se curvarem à vontade do povo iraniano”.
“Nós os levaremos (os EUA) a uma humilhação e a um desespero ainda maiores em seus novos atos de agressão”, diz o texto.
Os preços do petróleo dispararam no início das negociações desta manhã, após a mais recente troca de ataques. O valor do barril do Brent, referência global da mercadoriaavançou mais de 4%, para cerca de US$ 79 (R$ 406). É um valor significativamente abaixo do pico registrado no auge do conflito.
O mercado de ações dos EUA também recuaram nas negociações durante a manhã, à medida que investidores reagem ao agravamento da situação no Oriente Médio.
Bloqueio aos portos iranianos
Crédito, Reuters
Esta não é a primeira vez que Trump impõe um bloqueio a portos iranianos no Estreito de Ormuz.
Em abril, as forças dos EUA anunciaram que interceptariam ou obrigariam a retornar embarcações que viajassem de ou para a costa do Irã. Os EUA queriam restringir a capacidade de Teerã de lucrar com as exportações de petróleo, numa tentativa de pressionar o país.
A agência marítima da Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Marítima Internacional, afirma que nenhum país tem o direito legal de bloquear a navegação em estreitos utilizados para trânsito internacional.
“Não vamos permitir que o Irã ganhe dinheiro vendendo petróleo para quem eles gostam e não para quem eles não gostam”, disse Trump na ocasião. O Irã classificou a medida como “pirataria”.
O conflito mais recente envolvendo o Irã começou oficialmente em 28 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos contra posições iranianas.
A importância de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas do mundo.
Cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo passa pelo esteiro, uma via comercial que conecta os produtores de petróleo do Oriente Médio com os principais mercados da região da Ásia-Pacifico, Europa e América do Norte.

Limitado ao norte pelo Irã e ao sul por Omã e pelos Emirados Árabes Unidos, esse corredor — que tem cerca de 50 km de largura na sua entrada e saída, e aproximadamente 33 km em seu ponto mais estreito — conecta o Golfo ao mar da Arábia.
O canal possui duas rotas marítimas, e cada uma mede 3 km.
Mas, apesar de sua extensão, o estreito é profundo o suficiente para permitir a passagem dos maiores petroleiros do mundo.
Em 2025, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados passaram pelo Estreito de Ormuz por dia, segundo estimativas da Administração de Informações sobre Energia dos EUA (EIA). Isso representa um volume de comércio de energia de quase US$ 600 bilhões (R$ 3,1 bilhões) por ano.
Esse volume faz do estreito a passagem mais importante para a produção de petróleo no mundo, incluindo o petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), formada pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, além da maior parte do gás natural liquefeito do Catar.
Qualquer interrupção no estreito restringe o comércio e impacta em um aumento dos preços do petróleo a nível mundial.
