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Além da perda de passagens, consumidores relatam prejuízos com venda de milhas para a 123 Milhas

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O pedido de recuperação judicial da 123 Milhas – após a suspensão da emissão das passagens na linha promo – afetou não apenas quem comprou as passagens. Quem vendia milhas para a agência de viagens também ficou no prejuízo.

Um desses casos é o do analista de sistemas Daniel Viana, que mora em Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal. O prejuízo dele é estimado em até R$ 30 mil.

Nesta segunda-feira (4), ele e outros vendedores de milhas receberam um e-mail da Hotmilhas, que é controlada pela 123 Milhas, informando que os “compromissos firmados até 28 de agosto de 2023 estão suspensos temporariamente” por conta do processo de recuperação judicial e que a medida tem como objetivo “assegurar o cumprimento dos compromissos assumidos com clientes, ex-colaboradores, parceiros e fornecedores”.

O e-mail cita ainda que será proposto um “plano para pagamentos de dívidas acumuladas pela Hotmilhas” para honrar os compromissos.

Daniel receberia uma parcela no próximo dia 9 de setembro. Ele diz que até então a Hotmilhas não tinha feito qualquer notificação ou proposto uma negociação.

“Não houve qualquer aviso. Fiquei sabendo de tudo pelos jornais. Hoje [segunda-feira] foi que mandaram um e-mail genérico”, disse.

O analista de sistemas conta que vendia milhas há mais de 7 anos para a empresa e que nunca tinha tido nenhum problema.

“Inclusive na pandemia houve uma crise no setor aéreo e a 123 Milhas e Hotmilhas foram bastante impactadas, mas honraram todos os pagamentos”, lembrou.

Daniel diz que não pretende entrar na Justiça, por achar a tentativa inoperante diante do processo de recuperação judicial.

“Sei que vai ser multo difícil a 123 Milhas conseguir se recuperar, mas espero que se recupere e pague a todos os fornecedores. Não pretendo entrar com ação judicial, pois teria pouco efeito, já que ela está em recuperação judicial”, disse.

Ele diz que, apesar do prejuízo, sempre teve o negócio como uma fonte alternativa de renda, pelo risco que apresentava.

“Felizmente sempre soube que esse era um negócio de alto risco e só investia uma parte da renda, que se perdesse não afetasse a minha vida financeira”, explicou.

Quem também vendia milhas e teve um prejuízo de cerca de R$ 20 mil foi a engenheira civil Luana Paré, que mora em Natal. Cerca de R$ 10,2 mil deveriam ter sidos pagos em 29 de agosto, mas não caíram na conta dela.

Ela diz acreditar que não vá receber mais o valor e também não vai acionar a Justiça. “Não pretendo gastar mais dinheiro com uma ação judicial que me colocaria na fila da recuperação judicial”, disse.

“O pedido de recuperação judicial indica dívidas superiores a R$ 2 bilhões. Acho quase impossível pagarem isso”, alegou.

Luana vendia milhas desde 2021 para a Hotmilhas e nunca tinha tido nenhum problema para receber o pagamento. A engenheira também disse que não recebeu nenhum contato ou proposta de acordo da empresa e que o dinheiro já está fazendo falta.

“Estava contando com esse dinheiro para abater um empréstimo consignado que fiz pra comprar uma moto”, disse.

Entenda

No dia 18 de agosto, a 123 Milhas suspendeu pacotes e a emissão de passagens promocionais. A medida afetou viagens já contratadas da linha “Promo”, de datas flexíveis, com embarques previstos a partir de setembro de 2023.

  • Google e Facebook estão entre credores da 123 Milhas; lista tem mais de 7 mil páginas
  • 123 Milhas: pedido de recuperação judicial tem lista de 167 páginas com ações abertas contra empresa
  • 123 Milhas acumula mais de 16 mil processos judiciais; valor das causas soma R$ 200 milhões

A empresa afirmou devolveria os valores pagos pelos clientes por meio de vouchers, que poderiam ser trocados por passagens, hotéis e pacotes da própria agência. No entanto, consumidores afetados dizem que estão impedidos de utilizar os vouchers em novas compras.

123 Milhas, HotMilhas e Novum

A 123 Milhas foi fundada em Belo Horizonte em 2016. A companhia se apresenta como pioneira na criação de produtos de viagens comercializados online com valores atrativos.

De acordo com dados da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim), do governo federal, o quadro societário da 123 Milhas é composto por Ramiro Julio Soares Madureira e Augusto Julio Soares Madureira, como administradores, e pela Novum Investimentos Participações S/A, como sócia.

A Novum Investimentos Participações S/A, classificada como holding (empresa que detém a posse majoritária de ações de outras empresas), também tem Ramiro Julio e Augusto Julio no quadro societário, ambos como diretores.

Juntos, os dois aparecem no quadro societário de pelo menos oito empresas, incluindo Maxmilhas e HotMilhas.

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