Checagem aponta como fora de contexto vídeo de Lula sobre garis em Belo Horizonte

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As publicações que viralizaram nas redes sociais afirmando que o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atacou garis e coletores de lixo ao classificar a atividade como uma profissão “pobre” e que “não dá orgulho” estão fora de contexto. Uma apuração realizada pelo serviço de checagem Estadão Verifica demonstrou que as postagens recortaram a fala do mandatário, omitindo a sequência do discurso no qual ele defende a relevância do serviço urbano e critica a invisibilidade social da pobreza.

O pronunciamento foi proferido no sábado (29 de agosto), durante um ato em Belo Horizonte (MG) voltado à participação das mulheres na política. O fragmento compartilhado de forma viral na internet reproduz o seguinte trecho: “Eu, quando eu passo na rua e eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho: ‘Eu sou lixeiro’. O cara tem orgulho de falar: ‘Eu sou engenheiro’, ‘eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pôde estudar.”

A sequência do pronunciamento e a invisibilidade social

Na sequência imediata da declaração — trecho que foi suprimido das postagens de acusação —, o presidente contrapõe a importância dos garis com a indiferença social. “Eu fico pensando se aquelas pessoas que fazem a limpeza na rua soubessem a importância do trabalho deles. Que se eles não tirarem lixo durante uma semana, as pessoas que não enxergam ele durante o dia inteiro vão passar a enxergar”, declarou, completando que a sociedade tende a tratar as pessoas de menor renda de forma “invisível”.

Segundo a análise técnica da agência de checagem, o contexto completo do discurso era a defesa da educação formal e do acesso aos estudos como ferramenta de mobilidade social e igualdade de oportunidades. No mesmo evento, o presidente usou o exemplo de que filhas de empregadas domésticas deveriam concorrer em igualdade de condições a vagas universitárias federais com as filhas de seus empregadores.

Conclusão do Estadão Verifica

Estadão Verifica concluiu que classificar a fala de Lula como um ataque direto aos garis é enganoso. O corte parcial removeu a explicação sociológica que o presidente pretendia dar ao citar a profissão para discutir a desigualdade de renda e de oportunidades.

O órgão de checagem ressalta, contudo, que o teor original da declaração continua passível de controvérsia e críticas políticas pela utilização dos termos “muito pobre” e de que a profissão “não daria orgulho”, mas que o significado atribuído às palavras pelas postagens nas redes sociais não corresponde à integridade do contexto original gravado em vídeo.

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