MPRN faz campanha contra violência às mulheres em jogo no Arena das Dunas

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A partida entre ABC e Uberlândia, neste domingo (30), na Arena das Dunas, também serviu de espaço para uma ação de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.

A mobilização marcou o encerramento do Agosto Lilás e levou ao estádio faixas, vídeos e materiais com informações sobre prevenção, denúncia e acolhimento às vítimas.

A ação foi promovida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, por meio da Ouvidoria da Mulher e do Núcleo de Apoio à Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar.

Em campo, ABC e Uberlândia empataram por 1 a 1, pela volta das semifinais da Série D do Campeonato Brasileiro. Nas arquibancadas, a campanha aproveitou o público do jogo para ampliar a circulação de informações sobre violência contra a mulher.

A coordenadora do Namvid, promotora de Justiça Ana Jovina, destacou que a campanha busca enfrentar um fenômeno recorrente observado em dias de jogos de futebol:

“Existe uma pesquisa que demonstra que nos dias de jogos de futebol há um aumento de cerca de 25% dos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. E é contra este percentual que o MPRN promove essa campanha, que é o projeto Virando o Jogo. O objetivo é conscientizar a todos e convocar os torcedores para a luta da não violência contra a mulher”, afirmou.

Criado em referência ao aniversário da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, o Agosto Lilás surgiu inicialmente em Mato Grosso do Sul e ganhou dimensão nacional com a Lei Federal nº 14.448/2022. A mobilização busca ampliar o debate sobre a violência de gênero, divulgar os canais de denúncia e fortalecer a rede de proteção às vítima

A promotora de Justiça e ouvidora do MPRN, Mariana Barbalho, ressaltou a importância de levar informações diretamente ao público:

“A mulher pode procurar a Sala Lilás que tem aqui na Arena das Dunas e estamos hoje tirando dúvidas e falando sobre medidas protetivas”, disse.

A campanha ocorre em um contexto de números ainda preocupantes. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) apontam que o Brasil registrou 741 feminicídios apenas no primeiro semestre de 2026. No mesmo período, mais de 92 mil mulheres foram atendidas por serviços especializados e mais de 55 mil medidas protetivas estavam em acompanhamento pelas autoridades. No Rio Grande do Norte, os números reforçam a necessidade de campanhas de conscientização. Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres mostram que a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) recebeu 582 denúncias de violência contra mulheres no estado entre janeiro e maio de 2026, uma média de quase quatro registros por dia. As denúncias resultaram em 3.358 violações relatadas, tendo como principais cenários a residência da vítima ou a casa compartilhada com o agressor.

Além das ações presenciais realizadas durante o Agosto Lilás, a Ouvidoria da Mulher e o Namvid mantêm atendimento permanente à população. Denúncias de agressões, pedidos de orientação e informações sobre medidas protetivas podem ser encaminhados pelos canais oficiais do Ministério Público do Rio Grande do Norte.

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