Artista de Parnamirim foi selecionado para a concorrida residência artística em SP

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Natural de Parnamirim, o artista e pesquisador Quemuel Costa, de 25 anos, foi selecionado para integrar o Pivô Pesquisa 2026 – Práticas Performativas, programa de residência artística realizado pelo Pivô em parceria com o Instituto Brasileiro de Teatro (iBT), em São Paulo. A iniciativa reúne apenas quatro artistas de diferentes regiões do país e ocorrerá entre 31 de agosto e 6 de dezembro.

Licenciado em Teatro pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e mestrando em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Quemuel desenvolverá durante a residência o projeto “Dois Oris”, pesquisa que dialoga com a obra do poeta natalense Blackout e aprofunda questões que o artista vem investigando desde 2021 por meio da pesquisa contínua “Autobiografias Negras”.

A residência é voltada ao desenvolvimento de pesquisas no campo expandido das práticas performativas, abrangendo linguagens como teatro, dança, performance e coreografia. Além de uma bolsa de criação, os participantes terão acesso a espaço de trabalho, acompanhamento curatorial e trocas com outros artistas convidados.

Para Quemuel, a experiência representa uma oportunidade rara de dedicação integral à criação artística:

“Eu vou receber uma bolsa para criar, vou ter uma sala, vou estar trocando com outros residentes, vou ter acompanhamento curatorial. É um cenário muito próximo do que seria um espaço ideal para criação. São três meses, porque eu acredito que o teatro e a performance demandam muito tempo de criação, de maturação, e a gente tem tido tão pouco tempo para isso ultimamente”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais.
Segundo ele, a residência surge em um momento importante de sua trajetória, marcada por pesquisas que transitam entre teatro, performance, literatura e artes visuais. O artista já participou de atividades e festivais em diferentes cidades brasileiras e também na França, acumulando experiências que ajudaram a consolidar seu trabalho.

O projeto que será desenvolvido em São Paulo parte da obra do poeta Blackout, artista negro de Mãe Luísa que publicou apenas um livro, “Duas Cabeças”, e cuja produção permanece pouco difundida. Quemuel pretende investigar como os poemas podem se transformar em matéria cênica.

“Me interessa pensar qual corpo o poema me pede. Que imagens são possíveis criar a partir desses poemas? O poema como um dispositivo para criar performance, para criar imagem, para criar teatro”, explica.

A pesquisa também dialoga com trabalhos anteriores do artista, como “Azul Miró”, inspirado na obra de Miró da Muribeca, e busca refletir sobre memória, ancestralidade e as possibilidades de ativar outras presenças por meio do corpo em cena.

Embora reconheça o peso institucional de integrar uma residência promovida por duas referências da arte contemporânea brasileira, o artista afirma que seu foco está menos nos desdobramentos profissionais futuros e mais no processo de criação.

“Tem um desejo de estar em São Paulo trocando com muita gente, mas eu fico focando mais no que isso pode nutrir na minha pesquisa e no meu trabalho. O impacto é inigualável porque é um espaço muito próximo do que seria um espaço ideal para criar em performance e teatro.”

Ao comentar o significado de ser um artista potiguar selecionado para uma residência nacional, Quemuel evita assumir o papel de representante de todo o Rio Grande do Norte. Ainda assim, acredita que sua presença ajuda a ampliar os imaginários sobre quem pode ocupar espaços de destaque nas artes brasileiras.

“Eu fico feliz que essa representação venha através de um corpo bicha, negro, de Bela Vista. Talvez isso signifique alguma mudança. Ela vem ocorrendo muito lentamente, ainda não é equalitária, mas já anuncia novos mundos.”

O artista também espera que sua trajetória possa inspirar outros criadores que atuam fora dos centros tradicionais de produção cultural.

“Da mesma forma que me animava ver a trajetória de artistas como Alexandre Américo, eu espero que outras pessoas possam olhar para essa seleção e pensar: é difícil, mas não é impossível.”

A edição de 2026 do Pivô Pesquisa – Práticas Performativas tem coordenação curatorial de Carolina Mendonça e conta com apoio do Instituto Impactarte. Além de Quemuel Costa, participam da residência Fayola Ferreira, Kuma e Rafael FX. Ao longo de pouco mais de três meses, os artistas desenvolverão pesquisas autorais em diálogo com curadores, pesquisadores e outros profissionais das artes contemporâneas.

Criado em 2012, o Pivô é uma das principais instituições dedicadas à arte contemporânea no Brasil, sediada no edifício Copan, em São Paulo, e reconhecida por programas voltados à experimentação, pesquisa e intercâmbio artístico.

SAIBA MAIS:
Formação reúne pesquisa e criação sobre teatros negros contemporâneos



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