Gilmar Mendes diz que STF é “vítima” da polarização e pede “mais comunicação”

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O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (14) que a Corte se tornou “vítima” da polarização política no Brasil e reconheceu que os ministros precisam ter humildade para receber críticas.

Em entrevista ao canal TMC 360, Mendes defendeu o STF como um “órgão de equilíbrio” entre os Poderes e disse que uma das formas de reduzir a tensão é melhorar a comunicação do tribunal. “O remédio é mais comunicação”, afirmou o ministro.

Segundo Mendes, o STF precisa explicar com mais clareza o que decidiu e quais foram as razões de cada decisão.

As críticas ao Supremo também entraram no discurso de candidatos à Presidência em 2026. Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm feito críticas à atuação da Corte, embora com posições e níveis de intensidade diferentes.

Mendes classificou como um equívoco transformar ataques ao STF em uma bandeira eleitoral. Para o ministro, os candidatos deveriam concentrar a campanha também em problemas que afetam diretamente o cotidiano da população, como segurança pública, preço dos alimentos e saneamento básico.

O ministro citou como exemplo a preocupação do eleitor com situações como furto de celular e insegurança no transporte público. Segundo ele, parlamentares eleitos com um discurso de enfrentamento ao Supremo acabam encontrando, ao chegar ao Congresso, uma realidade diferente daquela apresentada durante a campanha.

Gilmar reconhece críticas ao Supremo

Mendes também afirmou que o STF precisa ser receptivo aos questionamentos feitos à Corte. Segundo ele, o presidente do Supremo, Edson Fachin, chegou a propor um código de ética no início de sua gestão, mas a ideia não teve apoio da maioria dos ministros.

O decano disse que o debate sobre limites para a atuação dos integrantes do tribunal continua colocado. Em outra declaração dada na entrevista, defendeu que os ministros tenham uma postura de humildade diante das críticas e estejam dispostos a discutir mudanças.

Mendes afirmou ainda que o STF é frequentemente criticado por decisões tomadas, segundo ele, diante da omissão de outros Poderes. Para o ministro, a Corte acaba sendo “demonizada” no ambiente de polarização, embora, na visão dele, esteja exercendo uma função de arbitragem institucional.

“Órgão moderador”

Ao defender a atuação do Supremo, Gilmar Mendes afirmou que o tribunal tem contribuído para a democracia e funcionado como um “órgão moderador”. Ele rejeitou a avaliação de que o STF esteja simplesmente invadindo as atribuições do Legislativo.

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“No fundo, a gente acaba sendo vítima desse quadro de briga polarizada”, disse o ministro. Para ele, a resposta do tribunal às críticas passa também por tornar suas decisões mais compreensíveis para a sociedade.

STF virou tema de campanha eleitoral

As críticas ao Supremo aparecem na disputa presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro tem defendido o impeachment de ministros e mudanças nos limites de atuação da Corte. Romeu Zema também tem feito críticas ao STF, enquanto Ronaldo Caiado adotou um discurso de questionamento ao tribunal em sua campanha. Renan Santos também tem feito críticas à atuação do Supremo em seu discurso eleitoral.

A campanha eleitoral começa oficialmente neste domingo (16), e o STF está entre os temas que devem continuar sendo explorados pelos candidatos.

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