O embate político em Ouro Branco–RN ganhou um novo capítulo após as acusações feitas por integrantes da oposição contra a atuação da Polícia Militar durante os episódios registrados após a eleição suplementar do último domingo, que terminou com a vitória do então candidato eleito, Professor Amariudo, por apenas 17 votos.
Em resposta, os vereadores Francisco Celso da Silva Neto, Genilson Jerônimo de Oliveira, Paulo Dantas da Silva e Rogério Azevedo de Lucena divulgaram uma dura nota de repúdio, classificando como “grave” a tentativa de constranger policiais militares que atuaram no município durante os episódios pós-eleição. O grupo acusa a oposição de promover uma “espetacularização midiática” e uma ação de intimidação política contra os agentes de segurança.
Os parlamentares ainda questionaram a reunião promovida junto à cúpula da Segurança Pública, afirmando que o encontro teve caráter político e não institucional, já que vereadores da situação não teriam sido convocados. Na avaliação dos vereadores, a medida representaria uma tentativa de pressionar o comando da PM, cobrando inclusive acompanhamento do Ministério Público e da Corregedoria para evitar qualquer retaliação aos policiais envolvidos.
Confira a nota na íntegra:
NOTA DE REPÚDIO
Os vereadores Francisco Celso da Silva Neto, Genilson Jerônimo de Oliveira, Paulo Dantas da Silva e Rogério Azevedo de Lucena vêm a público manifestar o seu mais veemente REPÚDIO diante do grave episódio de abuso de poder, intimidação política e espetacularização midiática direcionada a policiais militares no exercício de suas funções no município de Ouro Branco.
A tentativa de usar o aparato político e a mídia para constranger servidores públicos assemelha-se aos tempos dos coronéis, uma prática oligárquica que alguns insistem em, a todo custo, implantar e reviver em Ouro Branco.
É estarrecedor e profundamente estranho que a cúpula da Segurança Pública, incluindo o Secretário de Estado, seja convocada para figurar em uma reunião de clara propaganda intimidatória. O caráter puramente político e pessoal do encontro fica escancarado pelo fato de que os vereadores da situação sequer foram convocados.
Se o tema fosse o interesse público de Ouro Branco, a representação seria institucional e ampla, e não um ato fechado para atender aos caprichos e às pressões de um grupo específico.
A reunião não contou com a participação dos vereadores da situação, evidenciando que o ato não foi uma iniciativa institucional da Câmara Municipal como um todo.
Portanto, ao deixar de fora os demais parlamentares eleitos, que também representam uma parcela expressiva do eleitorado local, o movimento perde o caráter de representação popular legítima e ampla.
A atitude transforma o que deveria ser um pleito comunitário em uma ação de viés político-partidário isolada, utilizando o pretexto de “defender o povo” para chancelar uma agenda de pressão direcionada contra o comando da Polícia Militar, configurando assédio institucional e moral, algo que só se admitia nos tempos dos coronéis.
“A segurança pública é uma instituição de Estado voltada para a proteção do cidadão, e não um cenário fotográfico para alimentar o ego e o coronelismo de quem confunde o público com o privado.”
Ouro Branco exige respeito às suas instituições. Solicitamos que as autoridades competentes, o Ministério Público e a Corregedoria acompanhem de perto os desdobramentos deste caso, garantindo a proteção integral dos policiais militares envolvidos contra qualquer tipo de retaliação velada ou perseguição.
Expressamos nossa total solidariedade aos policiais militares que se mantiveram firmes, éticos e técnicos, honrando seus juramentos e demonstrando que, em uma democracia, a farda e a lei estão acima de qualquer coronel.
Francisco Celso da Silva Neto
Genilson Jerônimo de Oliveira
Paulo Dantas da Silva
Rogério Azevedo de Lucena
