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Influencer que imitou macaco no Rio diz repudiar gestos semelhantes do pai após vídeo em bar na Argentina

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A advogada e influenciadora Agostina Páez, ré por injúria racial no Brasil, publicou um posicionamento em suas redes sociais para se desvincular das atitudes do pai, o empresário Mariano Páez, que foi filmado em um bar de Santiago del Estero imitando um macaco e afirmando sentir “asco pelo Estado”.

“O que se vê é lamentável e eu repudio completamente. Eu me responsabilizo pelo que fiz: reconheci meus erros, pedi desculpas e enfrentei as consequências. Mas só posso responder pelos meus próprios atos”, afirmou.

Os gestos são semelhantes aos que Agostina fez em direção a funcionários de bar em Ipanema, em janeiro. Ela foi detida à época e permaneceu por mais de dois meses no país, sob monitoramento com tornozeleira eletrônica,

A manifestação do pai ocorreu menos de 24 horas após o retorno dela à Argentina, e o vídeo repercutiu nas redes sociais.

Em seu perfil, Agostina demonstrou abatimento com a situação e repudiou o comportamento do pai.

A influenciadora também declarou que não tem qualquer relação com o episódio. “Não tenho absolutamente nada a ver com isso. Eu estava em casa, acompanhada de amigos que estiveram ao meu lado durante todo esse tempo”, escreveu.

Na sequência, ela destacou que o pai esteve presente durante o período difícil que enfrentou, mas reforçou que não pode ser responsabilizada pelas atitudes dele.

Agostina Paez, de 29 anos, imitou macaco e fez o som do animal após discussão em um bar — Foto: Reprodução/TV Globo

As imagens foram divulgadas por um site local e mostram o empresário em uma saída noturna acompanhado da companheira. Em determinado momento, ele grita e imita um macaco — o mesmo gesto que levou a filha a ser presa no Brasil.

Além desse vídeo, também circulou outra gravação em que o empresário afirma que foi ele quem pagou a fiança de US$ 18 mil para que a filha responda ao processo em liberdade e que não recebeu dinheiro público.

Na gravação, ele diz: “Eu tenho asco do Estado. Não vivo da política. Sou empresário, milionário e agiota. E narco…”, afirma, cercado por outras pessoas.

Segundo o jornal La Nación, o pai afirmou que as gravações foram feitas com uso de inteligência artificial. Foi submetmido o vídeo a ferramentas, que analisaram como entre 0% e 2% a chance de ter IA na geração das imagens.

Sem tornozeleira

A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que Agostina Páez, ré por injúria racial, retirou a tornozeleira eletrônica na terça-feira (31), após receber permissão da Justiça.

Ela retornou para seu país nesta quarta (1º) e falou com jornalistas no aeroporto em Buenos Aires.

A advogada também se encontrou com a senadora Patrícia Bullrich, ex-ministra de Segurança Nacional do governo de Javier Milei, uma das representantes da direita do país. O encontro foi registrado com uma selfie postada pela ex-ministra em uma rede social.

Agostina definiu o que passou no Brasil como um “calvário”, mas se disse arrependida por sua “reação”, no episódio de gestos e palavras racistas contra funcionário de um bar na Zona Sul do Rio. “Apesar do contexto, me arrependo de ter reagido desta maneira, mas agora estou aqui”.

Ela afirmou que não é racista. “Há uma lei no Brasil que é muito severa”, disse aos jornalistas. “Nunca contaram a minha parte da história e sou inimiga pública no Brasil”, disse. Ela aconselhou os viajantes que conheçam os contextos das leis no Brasil.

A advogada foi autorizada a voltar para a Argentina após a defesa obter um habeas corpus e o pagamento do valor de fiança estabelecido pela Justiça do Rio de Janeiro. Ela vai responder ao processo em liberdade, a partir do país de origem.

Fiança de R$ 97 mil

Uma decisão da Oitava Câmara do Tribunal de Justiça determinou nesta segunda-feira (30) o cumprimento de condições, entre elas o pagamento de caução equivalente a 60 salários mínimos – aproximadamente R$ 97 mil, para Agostina deixar o Brasil.

A liminar foi expedida pelo desembargador Luciano Silva Barreto, relator do caso na Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e confirmada pelo colegiado.

Segundo a denúncia do MPRJ, no dia 14 de janeiro deste ano, Agostina se referiu a um empregado de um bar em Ipanema como “negro” de forma pejorativa e, ao deixar o local, usou a palavra “mono”, que em espanhol significa “macaco”, além de imitar gestos do animal. Os gestos foram flagrados em vídeo.

Ainda de acordo com a promotoria, ela voltou a fazer ofensas, usando expressões como “negros de m*rda” e “monos” para outros dois funcionários, caracterizando três crimes.

A acusada chegou a ser presa e foi submetida a medidas cautelares como retenção de passaporte, proibição de sair do país e uso de tornozeleira eletrônica.

Na decisão, o relator entendeu que, com o encerramento da fase de instrução do processo, não há mais a necessidade de manter as restrições impostas à ré.

Agostina deverá manter endereço e contatos atualizados e se comprometer a atender às convocações da Justiça brasileira, mesmo estando fora do país.

O relator considerou ainda que a acusada é primária, tem profissão definida e demonstrou colaboração com o processo, inclusive com manifestação pública de arrependimento.

Para o magistrado, impedir a saída do país, mesmo após o fim da instrução, configuraria constrangimento ilegal. Ele também ressaltou que acordos internacionais entre Brasil e Argentina permitem, em caso de condenação, o cumprimento da pena no país de origem da acusada.

Durante uma audiência em março, Agostina pediu desculpas para os três funcionários do bar pelos gestos racistas.

O Ministério Público defendeu uma “reparação financeira pelo dano moral” às vítimas no valor de 120 salários mínimos, ou R$ 190.452.

Agostina Paez, de 29 anos, imitou macaco e fez o som do animal após discussão em um bar — Foto: Reprodução/TV Globo
Agostina Paez, de 29 anos, imitou macaco e fez o som do animal após discussão em um bar — Foto: Reprodução/TV Globo

*Com informações de g1

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