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Por Wagner Guerra
A repercussão do constante ataque de Trump nas redes sociais ao primeiro papa americano, Leão XIV, descrito como liberal demais e “brando com o crime”, somada à imagem gerada por inteligência artificial, na qual o presidente norte-americano aparece como uma figura similar a Jesus Cristo, com luz irradiando de suas mãos, vem gerando uma mudança de opinião entre muitos católicos, principalmente os mais conservadores.
De acordo com o atual Arcebispo Metropolitano, Dom João Cardoso, as narrativas divergentes entre os EUA e o Vaticano sobre a guerra no Irã são percebidas por ele como ‘profundamente lamentáveis’. Segundo o religioso, “quando um chefe de Estado de uma nação de grande relevância internacional faz alusões dessa natureza, instrumentalizando a figura de Nosso Senhor para fins de autopromoção política, aproxima-se perigosamente do sacrilégio.”
Ao Diário do RN, após ser questionado sobre o ataque de Trump ao papa Leão XIV e sobre a imagem “Jesus de IA”, Dom João observou que a fé cristã exige reverência ao sagrado. “O uso indevido do nome de Deus ou da pessoa de Cristo para promoção pessoal fere a sensibilidade religiosa de milhões de fiéis e empobrece o debate público”.
Embora a guerra no Oriente Médio não esteja incluída na pauta da 62ª Assembleia Geral da CNBB, que acontece, atualmente, no Santuário Nacional de Aparecida (SP), onde o arcebispo de Natal participa, há, evidentemente, uma preocupação com a paz presente no coração da Igreja Católica e integra sua própria missão evangelizadora, já que Cristo proclama ‘bem-aventurados os que promovem a paz’. “O próprio Papa Leão XIV dirigiu à Assembleia um forte apelo em favor da paz, o que naturalmente sensibiliza e desafia o episcopado reunido”, disse.
Dom João Cardoso explica que a posição da Igreja é clara e permanente: estar sempre em favor da paz. “Promover isso faz parte da missão da Igreja e do próprio Evangelho. Em tempos marcados por tantos conflitos, a Igreja reafirma que controvérsias entre nações devem ser resolvidas pela via diplomática, pelo diálogo e pela negociação, jamais pela escalada bélica. A guerra não constrói; ela multiplica sofrimento, destruição e instabilidade. Como recordou recentemente o Papa Leão XIV, a verdadeira paz nasce do reconhecimento da dignidade de cada pessoa e da fraternidade entre os povos”.
O principal tema da 62ª Assembleia Geral é justamente a apreciação e votação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, que orientarão a missão evangelizadora nos próximos anos. Este encontro, inicialmente previsto para ter ocorrido em 2025, foi suspenso após o falecimento do Papa Francisco, ocorrido em 21 de abril do ano passado.
Além do tema central, os bispos também vão tratar de três temas prioritários, 20 temas diversos, 4 mensagens e 10 comunicações. O encontro dos bispos também conta com um retiro espiritual.
Segundo o Arcebispo Metropolitano, o texto apreciado na Assembleia Geral resulta de amplo percurso sinodal e busca oferecer respostas pastorais aos desafios atuais. Entre os temas correlatos estão, por exemplo, os relatórios pastorais, análise de conjuntura social e eclesial e a implementação do processo sinodal no Brasil.
