Último jornal independente fecha de vez na Rússia

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IGOR GIELOW
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O último jornal independente russo, ou o que havia restado dele, teve seu fechamento anunciado nesta sexta-feira (30). “Nós fomos mortos”, disse a Novaia Gazeta em uma nota publicada nos seus canais digitais.

O texto diz que a “campanha coordenada de serviços especiais e autoridades do Estado” impossibilitou a continuidade das operações do jornal, criado em 1993 e símbolo da liberdade associada à primeira e turbulenta década da Rússia pós-soviética.

A causa mortis do pequeno editorial divulgado foi o golpe final do governo de Vladimir Putin contra os resquícios da Nova Gazeta: a declaração do veículo como agente estrangeiro em setembro.

Pela lei russa, qualquer ente ou pessoa que receba financiamento externo é assim classificado, e passa a sofrer uma série de restrições fiscais e de operação. Na semana passada, a Justiça informou que a Redação do jornal seria despejada do histórico prédio na alameda Potapovski, no centro de Moscou.

Os visitantes que lá entravam davam de cara com os primeiros computadores do jornal, doados pelo último presidente soviético, Mikhail Gorbatchov (1931-2022), uma espécie de patrono da publicação. As velhas máquinas eram o que mais se aproximava de um memorial ao líder, desprezado no país pelo caos econômico que o fim do império comunista trouxe.

Mais recentemente, o prédio também abrigava o Museu Anna Politkovskaia, em homenagem à jornalista investigativa homônima cujo assassinato em 2006 é creditado a aliados de Putin por sua cobertura crítica do Kremlin e de abusos na Tchetchênia. O presidente nega ligação com o crime.

Politkovskaia foi a mais famosa, mas não a única vítima na Redação. Outros cinco repórteres foram mortos em circunstâncias misteriosas ao longo dos anos ao apurar matérias críticas ao governo.

O despejo serviu de enterro simbólico do Novo Jornal, seu nome em russo, mas ele já estava ferido de morte desde 2022, quando Putin invadiu a Ucrânia e decretou leis de censura duras à imprensa. Notícias consideradas prejudiciais às Forças Armadas são puníveis com sentenças de até 15 anos, que podem ser multiplicadas.

Meios de comunicação independentes, como a Novaia Gazeta ou a TV Dodj (chuva, em russo), perderam suas licenças de operação. O jornal migrou sua operação principal para Riga, na Letônia, onde publica notícias online e edições impressas eventuais.

Na Rússia, onde circulava 300 mil exemplares em três edições semanais até seu fechamento físico, subsistiu uma redação menor.

Notícias que evitavam temas sensíveis demais eram divulgadas por canais digitais e em um site, todos proibidos, mas acessíveis usando VPN –ferramenta que permite driblar vetos nacionais a endereços da internet.

O arranjo era uma deferência à influência do editor-chefe da publicação, Dmitri Muratov, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2021 com a jornalista filipina Maria Ressa. Mesmo crítico ao Kremlin, ele era tolerado dentro do esquema de poder da Rússia, em que algum dissenso era permitido.

Com a guerra, isso mudou. Em 2023, Muratov deixou o posto após ser decretado agente estrangeiro, ganhando mais três anos de oxigênio para o que sobrou da Novaia Gazeta. O financiamento da empreitada nunca ficou claro, embora houvesse ajuda de leitores e de apoiadores no exterior.

Neste ano, o cerco apertou com a prisão de um dos editores do jornal, Oleg Raldugin, durante a apuração de uma reportagem. Por fim, veio a decisão de setembro. A edição virtual na Letônia seguirá existindo.

À agência de notícias AFP, Muratov disse que o fim da publicação faz parte de uma “gigantesca campanha militar do Kremlin”.

Seu substituto como editor-chefe, Serguei Sokolov, afirmou em nota: “Nós não morremos, fomos mortos junto com a Constituição. Em 9 de novembro, nós vamos desligar as luzes de nossa casa, onde moramos por 30 anos. Vamos desligar os servidores e ir embora”, disse ele, que chegou a ser detido há 15 dias.

Não há um número preciso de pessoas ainda a serviço do jornal, mas a decisão de setembro da Justiça citava cem profissionais afetados. O número, porém, inclui jornalistas que deixaram o país, que foram dezenas ao longo dos anos. Até 2021, a Novaia Gazeta tinha 140 funcionários.

O Kremlin ainda não comentou o fim da publicação. Em ocasiões passadas, o governo justificou as leis mais draconianas devido à guerra, caracterizada como um enfrentamento existencial entre a Rússia e o Ocidente.

Acidente ocorreu na quinta-feira (29), nas proximidades de um aeroporto no estado de Oregon. Entre as vítimas estão uma instrutora de voo de 22 anos e um aluno de pilotagem britânico. As autoridades norte-americanas investigam as causas da colisão

Notícias ao Minuto | 04:52 – 30/10/2026

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