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A presença de uma frente fria estacionária sobre a região Sul favorece o surgimento de supercélulas — tempestades de forte intensidade — e mantém elevado o risco de tempo severo. Especialistas preveem acumulados significativos de chuva, queda de granizo, fortes rajadas de vento, microexplosões (forte corrente de vento que despenca de uma nuvem de tempestade) e episódios localizados de tornado para os próximos dias.
“O sistema estacionário eleva os volumes de chuva na região. Ao mesmo tempo, um fluxo de ar transporta calor e umidade da Amazônia em direção ao Sul. O encontro dessa massa quente com o eixo da frente fria intensifica a instabilidade atmosférica”, explica a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Thais Cortez.
Supercélulas são tempestades que podem durar até 6 horas e percorrer dezenas a centenas de quilômetros.
Segundo o Inmet, uma frente fria estacionária se forma quando uma massa de ar frio perde força e deixa de avançar sobre a massa de ar quente. Com isso, a faixa de encontro entre os dois sistemas permanece praticamente na mesma região por vários dias, já que nenhuma das massas consegue empurrar a outra.
Inmet aciona alerta vemelho e explica perigo das supercélulas
A atuação das instabilidades favorece tempestades muito fortes entre o sul do Paraná e o norte do Rio Grande do Sul. Diante dessas condições, o Inmet emitiu aviso de tempestade para a região, com possível formação de supercélulas e aviso vermelho — indicador de grande perigo — para acumulado de chuva, com volumes superiores a 60 mm/h ou 100 mm/dia.
“As supercélulas são tempestades que podem durar até 6 horas e percorrer dezenas a centenas de quilômetros”, explica Diulio Patrick, meteorologista do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) que atua na Defesa Civil do mesmo estado.

O Inmet acrescenta que uma supercélula é classificada como uma tempestade altamente organizada. Diferentemente das chuvas comuns, o sistema possui uma corrente de ar ascendente em rotação, chamada de mesociclone.
“Essa rotação confere alto perigo ao fenômeno, que tem capacidade para produzir granizo de grande porte, rajadas destrutivas de vento, chuvas torrenciais e tornados”, explica a meteorologista Thais Cortez.
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Simepar confirma tornado F2 no Paraná com ventos de até 253 km/h
O meteorologista Piter Scheuer, do Simepar, identificou um forte sinal de rotação na atmosfera sobre a região sudeste do Paraná, na última terça-feira (30), por meio de imagens de radar. “Essa assinatura é compatível com uma tempestade severa em rotação (supercélula), capaz de provocar rajadas intensas de vento, queda de árvores e destelhamentos. Além disso, não se descarta a ocorrência de um possível tornado de curta duração e de intensidade localizada”, explicou Scheuer.
Na quarta-feira (1º), o Simepar confirmou que um tornado atingiu o município de Reserva, nos Campos Gerais, a cerca de 220 quilômetros de Curitiba, no domingo (28). O Simepar classificou o fenômeno na Escala Fujita tradicional como F2, faixa que indica ventos entre 180 km/h e 253 km/h, com danos consideráveis.

A Defesa Civil de Reserva contabilizou 11 casas com danos significativos, com quatro totalmente destruídas. Pelo menos 50 pessoas afetadas e dez moradores ficaram desalojados e buscaram abrigo na residência de parentes ou amigos, e uma pessoa sofreu ferimentos leves. A força do vento e do granizo também danificou a vegetação local e veículos.
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Supercélula mantém força por 70 quilômetros entre Santa Catarina e Paraná
A Defesa Civil de Santa Catarina identificou uma supercélula de tempestade, responsável pela formação de um tornado que atingiu regiões próximas ao município de Campos Novos, no meio-oeste do estado, na segunda-feira (29). Os meteorologistas registraram ventos de 123 km/h.
O monitoramento meteorológico registra que a supercélula percorreu aproximadamente 70 quilômetros, sem perda de organização. Ao longo do trajeto, moradores relataram ventania e queda de granizo.
A Defesa Civil estadual já havia emitido avisos meteorológicos sobre “tempestades intensas” em diversas regiões catarinenses. “A situação foi provocada pelo avanço de uma frente fria combinada a uma área de baixa pressão”, informou.
Ocorreram registros de granizo, raios, além de núcleos de chuva e vento intensos. A prefeitura de Campos Novos (SC) decretou situação de emergência. “Estragos de menor porte e problemas no fornecimento de energia elétrica, devido a queda de linhas de distribuição, também foram registrados em outros municípios”, informou a Defesa Civil de Santa Catarina.
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