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Os bancários do Rio Grande do Norte vão paralisar as atividades por 24 horas nesta quinta-feira (20), em protesto contra a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) durante a Campanha Salarial 2026. A decisão foi tomada por unanimidade em assembleia realizada na terça-feira (18), na sede do Sindicato dos Bancários do RN (SEEB/RN). Além da paralisação, os trabalhadores aprovaram estado de greve a partir desta sexta-feira (21), reforçando a mobilização da categoria diante do impasse nas negociações.
O movimento no RN integra uma mobilização nacional que ganhou força após a sétima rodada de negociações entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários. Na reunião, realizada em 13 de agosto, os bancos não apresentaram qualquer índice de reajuste salarial e levaram à mesa propostas consideradas um retrocesso pelos trabalhadores, como o congelamento do piso de ingresso para novos bancários e a criação de reajustes diferenciados por faixas salariais.
A reação foi imediata. Assembleias realizadas em todo o país rejeitaram a proposta. Segundo dados divulgados por entidades sindicais, cerca de 97% dos bancários votaram contra a medida e aproximadamente 90% aprovaram a realização de uma paralisação nacional de 24 horas nesta quinta-feira (20).
Em São Paulo, a maior base sindical da categoria, a proposta foi rejeitada por 97,66% dos votantes, enquanto 89,34% aprovaram a paralisação. Para os bancários, a proposta apresentada pela Fenaban aprofunda desigualdades dentro da categoria.
Além de não apresentar qualquer percentual de reajuste salarial, os bancos propuseram reajustes diferenciados para três faixas de remuneração, sem informar quais seriam os critérios utilizados nem os índices previstos para cada grupo. A medida foi interpretada pelos sindicatos como uma tentativa de fragmentar a categoria e criar tratamentos distintos entre trabalhadores do mesmo setor.
Outro ponto criticado foi o congelamento do piso de ingresso para novos bancários. A proposta também previa mudanças nos benefícios de alimentação, incluindo a possibilidade de valores diferenciados para trabalhadores de municípios do interior, sob a justificativa de que o custo de vida seria menor fora das capitais.
A pressão da categoria, no entanto, já produziu efeitos. Durante a oitava rodada de negociações, realizada nesta terça-feira (18), a Fenaban recuou das propostas de congelamento do piso e de reajustes escalonados por faixas salariais. Apesar disso, os bancos continuaram sem apresentar qualquer índice de reajuste para salários e demais verbas, mantendo o impasse nas negociações.
A mobilização ocorre a menos de duas semanas da data-base da categoria, marcada para 1º de setembro. Os bancários defendem aumento real dos salários, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e melhorias nas condições de trabalho.
No Rio Grande do Norte, o Sindicato dos Bancários afirma que a paralisação busca pressionar os bancos a apresentarem uma proposta que contemple as reivindicações da categoria.
Segundo a entidade, os cinco maiores bancos do país registraram lucros bilionários nos últimos anos, enquanto os trabalhadores seguem sem uma proposta concreta de reajuste salarial:
“Diante da postura dos bancos, a categoria decidiu fortalecer a mobilização. Nesta quinta-feira (20), os bancários do RN cruzam os braços por 24 horas. A luta é por valorização, igualdade de direitos e uma proposta que respeite os trabalhadores”, afirmou Alexandre Cândido, coordenador do SEEB/RN.
Caso não haja avanço nas negociações nos próximos dias, novas mobilizações poderão ser discutidas pela categoria a partir do estado de greve aprovado para entrar em vigor na sexta-feira (21).
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