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O senador Rogério Marinho (PL-RN) encerra as eleições de 2026 com uma sequência de derrotas políticas que atingem diferentes frentes de seu projeto político. O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), escolhido pelo grupo para disputar o Governo do Rio Grande do Norte, ficou fora do segundo turno. O candidato ao Senado Coronel Hélio (PL), também apoiado pelo senador, não conquistou uma das duas vagas em disputa. Na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), cuja campanha foi coordenada nacionalmente por Marinho, perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para um quarto mandato.
O resultado se soma à derrota de Allyson Bezerra (União Brasil) para Cadu de Lula (PT) na disputa pelo Governo do RN, apesar de o senador ter mantido o PL oficialmente neutro no segundo turno estadual. A sequência impõe um revés ao grupo político que Marinho ajudou a organizar no estado e nacionalmente, ainda que a votação de seus aliados indique que a direita permanece com presença eleitoral expressiva no Rio Grande do Norte.
A derrota mais diretamente ligada à disputa estadual começou ainda no primeiro turno, em 4 de outubro. Álvaro Dias recebeu 530.580 votos, equivalentes a 26,71% dos votos válidos, e terminou na terceira colocação. Allyson Bezerra obteve 36,94%, enquanto Cadu de Lula alcançou 36,16%, levando a disputa ao segundo turno.
A candidatura de Álvaro havia sido construída como uma das principais apostas do PL no estado. Ex-prefeito de Natal, ele se filiou ao partido em março, com a participação de Flávio Bolsonaro, e recebeu o apoio de lideranças que buscavam consolidar um palanque alinhado ao bolsonarismo.
A presença de Flávio Bolsonaro no Rio Grande do Norte, em setembro, foi parte desse esforço de mobilização. O senador percorreu municípios da região metropolitana de Natal em atos ao lado de Álvaro e de candidatos da coligação. A visita, porém, não foi suficiente para levar o ex-prefeito ao segundo turno.
Após o resultado, Álvaro defendeu que o PL concentrasse suas forças na eleição presidencial, sem apoiar nenhum dos dois candidatos que permaneceram na disputa estadual. A posição foi oficializada por Rogério Marinho em 9 de outubro, quando o partido anunciou neutralidade no segundo turno.
A decisão também teve um componente de disputa política com Allyson. Segundo Marinho, o então candidato do União Brasil procurou o PL em busca de apoio, mas o entendimento não avançou porque Allyson não assumiria publicamente apoio a Flávio Bolsonaro. O senador afirmou que o partido não endossaria a candidatura do adversário de Cadu, mas liberaria seus filiados.
A neutralidade não impediu que Cadu de Lula derrotasse Allyson em 25 de outubro. O petista recebeu 50,77% dos votos válidos, contra 49,23% do adversário, e foi eleito governador do Rio Grande do Norte.
Saiba Mais: PL ficará neutro no 2º turno do RN, anuncia Rogério Marinho
A disputa pelo Senado também terminou sem o resultado esperado pelo grupo de Marinho. Coronel Hélio, candidato do PL, não conquistou uma das duas vagas em disputa pelo Rio Grande do Norte. A eleição foi vencida por Styvenson Valentim (Podemos), reeleito, e Samanda de Lula (PT), que garantiu a segunda cadeira.
A candidatura de Hélio fazia parte da estratégia do PL de ampliar sua presença no Congresso Nacional e fortalecer a bancada alinhada ao bolsonarismo. Durante a campanha, o candidato defendeu a eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência e afirmou que, caso chegasse ao Senado, ajudaria o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a governar o país.
Flávio Bolsonaro perde para Lula após campanha coordenada por Marinho
A derrota mais expressiva para Rogério Marinho no plano nacional veio com a reeleição de Lula. Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador potiguar esteve no centro da estratégia do PL para tentar impedir um quarto mandato do petista. O resultado, porém, confirmou a vitória de Lula no segundo turno.
No Rio Grande do Norte, a diferença foi particularmente significativa. Lula recebeu 1.413.596 votos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 737.409. O presidente reeleito conquistou cerca de 65,7% dos votos válidos no estado, contra aproximadamente 34,3% do candidato do PL, de acordo com os dados eleitorais divulgados após a votação.
A derrota nacional também ganhou um desdobramento político imediato. Na noite de domingo (25), Flávio afirmou que não reconhecia o resultado e anunciou que acionaria a Justiça para pedir a anulação da eleição. Marinho acompanhou o candidato e endossou a iniciativa.
“Vamos fazer o que a legislação preceitua. A Constituição nos dá a condição, me parece até agora, de recorrer à justiça se nós sentirmos que de alguma maneira nosso direito foi atingido”, declarou o senador.
A contestação ocorreu apesar de a própria campanha de Flávio ter solicitado a ampliação do horário de votação em municípios de cinco estados, alegando dificuldades provocadas por chuvas, alagamentos e falta de energia. A Justiça Eleitoral esclareceu que a prorrogação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, se aplicava às seções que ainda estavam abertas, sem reabrir urnas já encerradas.
Horas depois, no entanto, Flávio Bolsonaro foi convencido a desistir de pedir na Justiça a anulação da eleição de Lula, segundo revelou a coluna Painel, da Folha de S. Paulo. Como alternativa, a campanha de Flávio deve entrar com uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral), pedindo a cassação da chapa de Lula por abuso de poder econômico,
Saiba Mais: Rogério Marinho acompanha Flávio em ofensiva contra resultado das urnas
O próprio PL, partido de Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, reconheceu nesta segunda-feira (26) o resultado da eleição presidencial.
Em nota assinada pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, o PL afirma que reconhece o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas “questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos”.
“Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático. Seguiremos acompanhando os fatos e buscando respostas com responsabilidade, transparência e respeito às instituições”.
