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Preso por agredir a então namorada com mais de 60 socos dentro de um elevador em um condomínio no bairro de Ponta Negra, em Natal, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral agora é réu por tentativa de feminicídio. A denúncia contra ele oferecida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) foi acatada pela justiça nesta quinta (7).
Igor Cabral está preso na Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim. A próxima etapa é a fase de instrução do processo, quando as partes apresentam as provas, documentos e depoimento de testemunhas com o objetivo de formar a convicção do juiz sobre os fatos. Não há prazo para concluir essa etapa do processo.
Somente ao final do período de instrução, o juiz deve decidir se há ou não provas suficientes para que o réu seja julgado e como será o julgamento, se do tipo simples ou pelo Tribunal do Júri (Júri Popular).
Carta da família
Em 30 de julho, depois de receber ameaças pelo WhatsApp e de picharem a casa de um vizinho, a família de Igor escreveu uma carta pública lamentando o ocorrido e pedindo que a família fosse mantida no anonimato por não terem culpa pelas agressões e se tratar de trabalhadores comuns.
Denúncia de agressão
Na última sexta ,1º de agosto, Igor Cabral disse ter sido agredido dentro da cadeia por agentes penitenciários. A Secretaria da Administração Penitenciária (SEAP) apura o caso.
Cirurgia reparadora
Também no dia 1º Juliana Soares, vítima das agressões, passou por uma cirurgia para restauração dos ossos do rosto no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol).
Juliana teve múltiplas fraturas no rosto e maxilar e deve ficar com sequelas, segundo o cirurgião-dentista Kerlison Paulino de Oliveira, responsável pela cirurgia que durou mais de sete horas.
Pedido de perdão
Já na última segunda (4), o réu escreveu uma nota por meio do advogado de defesa na qual pede perdão e diz que a atitude foi influenciada pelo contexto de uso de substâncias e instabilidade emocional.
Relembre o caso
Igor Cabral, 29, foi detido em um sábado (26 de julho) depois de espancar a então namorada, Juliana Soares, de 35 anos, com mais de 60 socos dentro de um elevador em um condomínio, no bairro de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal.
Imagens do circuito interno registraram o momento em que ela leva dezenas de socos. A violência deixou a vítima com o rosto desfigurado. O segurança do condomínio, ao ver as imagens, acionou a Polícia Militar.

Quando o elevador chegou ao térreo, o agressor foi contido pelos moradores até a chegada dos policiais. A vítima, que foi levada para o Hospital Walfredo Gurgel, sofreu fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão.
A delegada Victória Lisboa relatou que o agressor, ao prestar depoimento na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), alegou que tinha claustrofobia. Depois de ser detido em flagrante, durante audiência de custódia, Igor teve a prisão preventiva decretada.
A discussão, segundo a Polícia Civil, teria começado em uma área comum do condomínio, onde eles faziam um churrasco com amigos. Juliana relatou que Igor teve uma crise de ciúmes quando ela lhe mostrou mensagens que havia recebido em seu celular.
Outras violências
Em depoimento à Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher da Zona Leste, Oeste e Sul (DEAM-ZLOS), Juliana revelou que Igor Cabral, antes de cometer a tentativa de feminicídio, havia lhe estimulado a cometer suicídio.
““Ela informou que já havia sido agredida com um empurrão e que em outras ocasiões ela conversou com ele sobre a possibilidade dela se matar e ele incentivava ela a tomar essa atitude”, contou a delegada.
““Ela estava com o psicológico abalado e aí ele a estava incentivando (a tomar os remédios). Isso, inclusive, será apurado melhor porque também pode configurar crime”, acrescentou a delegada.
Em entrevista à TV Tropical, Juliana também contou que o ex-namorado demonstrava comportamento possessivo, já havia lhe empurrado e cometido muita violência psicológica, mas não imaginava que ele chegaria ao ponto de tentar matá-la.
““Ele disse que ia me matar”, relatou escreveu a vítima em bilhete
Em um bilhete escrito à mão, no dia do crime, Juliana relatou aos policiais de plantão que Igor disse que iria matá-la.
No mesmo bilhete, ela contou ficou no elevador porque sabia que o agressor iria bater nela. “Eu sabia que ele ia me bater. Então, não saí do elevador. Ele começou a me bater e disse que ia me matar”, escreveu.

Solidariedade
Amigos da vítima organizaram uma vaquinha virtual para arrecadar recursos para ajudar no tratamento de Juliana. Atualmente as doações ultrapassam os R$ 98 mil, a meta é chegar aos R$ 100 mil.
Como denunciar
Polícia Militar: ligue 190
Polícia civil: ligue 181
Central de Atendimento à Mulher: ligue 180
Saiba +
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