Pesquisadora da UFRN é destaque em prêmio nacional de inovação

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A ideia de transformar resíduos da indústria salineira em soluções para a produção de energia limpa e tratamento de água garantiu à professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Elisama Vieira dos Santos um reconhecimento internacional. Diretora de desenvolvimento tecnológico da ENIE (Empresa Nacional de Inovação em Eletroquímica), startup incubada no Parque Tecnológico Metrópole Digital, ela está entre as vencedoras da segunda edição do Prêmio Ciência Delas, promovido pela Repsol Sinopec Brasil.

“Nossa proposta é transformar um resíduo industrial em matéria-prima para gerar dois produtos de interesse estratégico: o hidrogênio, como vetor energético, e o hipoclorito de sódio, empregado na desinfecção e no tratamento de águas”, afirma a pesquisadora.

Elisama venceu a Categoria Espanha com o projeto “Da recuperação de resíduos salinos a sistemas de energia sustentável: plataformas integradas para a produção de H₂ e hipoclorito de sódio com acoplamento de energia renovável”. O resultado foi divulgado em agosto e a cerimônia de premiação está prevista para ocorrer entre os dias 21 e 24 de setembro, durante o Festival ROG.e 2026.

A pesquisa parte de uma característica marcante do Rio Grande do Norte: o estado concentra cerca de 95% da produção brasileira de sal marinho. A partir dos resíduos gerados por essa atividade, o projeto desenvolve tecnologias capazes de produzir hidrogênio e hipoclorito de sódio, amplamente utilizado no tratamento de água e em processos de desinfecção. O sistema ainda prevê o uso de fontes renováveis, como energia solar e eólica, abundantes no território potiguar.

Mais de dez anos de investigação

O trabalho premiado é resultado de uma trajetória de pesquisa iniciada há mais de uma década no Laboratório de Eletroquímica Ambiental e Aplicada (LEAA), da UFRN. Ao longo desse período, o projeto reuniu estudantes, pesquisadores e colaboradores de diferentes instituições brasileiras e estrangeiras.

A iniciativa também dialoga diretamente com as áreas de atuação da ENIE, voltadas ao desenvolvimento de tecnologias para tratamento de águas e efluentes, produção sustentável de hidrogênio e sistemas eletroquímicos aplicados a diferentes escalas.

Segundo Elisama, a aproximação entre universidade e setor produtivo é um dos principais objetivos do trabalho.

“A conexão está no propósito de transformar conhecimento científico em soluções tecnológicas aplicáveis. A startup contribui para aproximar a pesquisa das necessidades de empresas, comunidades e instituições interessadas em tratamento de águas e produção sustentável de hidrogênio. O projeto premiado fortalece essa visão e amplia as possibilidades de desenvolvimento, validação, escalonamento e futura transferência tecnológica”, explica.

Como parte da premiação, a pesquisadora participará de uma imersão no ecossistema espanhol de ciência, tecnologia e inovação, com atividades voltadas à formação de parcerias e ao intercâmbio de experiências.

A escolha da categoria também dialoga com sua trajetória acadêmica. Durante o doutorado, Elisama realizou parte de sua formação na Universidad de Castilla-La Mancha, experiência que deu origem a uma cooperação científica mantida há mais de dez anos.

A expectativa, segundo ela, é fortalecer redes já estabelecidas e abrir novos caminhos para o desenvolvimento da tecnologia.

“Queremos avançar na validação da tecnologia, ampliar sua escala e avaliar oportunidades de cooperação e transferência tecnológica. Também será uma ocasião importante para apresentar o potencial científico da UFRN, do Rio Grande do Norte e da ENIE a parceiros internacionais”, afirma.

Entre os temas que pretende acompanhar durante a experiência estão iniciativas ligadas ao hidrogênio renovável, economia circular, tratamento descentralizado de água e integração de fontes renováveis a sistemas eletroquímicos.

A tecnologia desenvolvida pela equipe pode ter aplicações futuras em diferentes contextos, desde indústrias salineiras até comunidades com acesso limitado a serviços de saneamento, além de instalações industriais e operações offshore.

Para Elisama, o prêmio também representa um avanço na visibilidade das mulheres em áreas estratégicas da pesquisa científica e da inovação tecnológica.

“Premiações como o Ciência Delas dão visibilidade às contribuições das mulheres para a transição energética e a descarbonização. Esse reconhecimento pode inspirar meninas, estudantes e jovens pesquisadoras a perceberem que também podem liderar projetos científicos, desenvolver tecnologias e ocupar espaços de decisão”, destaca.

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