Índice de Preços ao Produtor (IPP) é de -0,83% em julho

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Em julho de 2026, os preços da indústria variaram -0,83% frente ao mês anterior, mantendo a variação negativa de junho frente a maio (-0,81%). Nessa comparação, 11 das 24 atividades industriais apresentaram queda de preços. O acumulado no ano foi de 3,09%. O acumulado em 12 meses ficou em 1,94%. Em junho de 2025, o IPP, na comparação mensal, havia sido de –0,31%.

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange as grandes categorias econômicas.

Período Taxa (%)
Julho de 2026 -0,83
Junho de 2026 -0,81
Julho de 2025 -0,31
Acumulado no ano 3,09
Acumulado em 12 meses 1,94

Em julho de 2026, os preços da indústria variaram -0,83% frente a junho. Onze das 24 atividades industriais investigadas apresentaram variações negativas de preço ante o mês imediatamente anterior. Em comparação, seis atividades apresentaram menores preços médios em junho em relação ao mês anterior, quando a variação deste mesmo indicador foi negativa.

As quatro atividades com maiores variações foram: equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (11,37%); refino de petróleo e biocombustíveis (-5,65%); outros produtos químicos (-4,49%); e indústrias extrativas (-4,38%).

Índice de Preços ao Produtor, segundo as Indústrias Extrativas e de
Transformação (Indústria Geral) e Seções, Brasil, últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variação (%)
M/M₋₁ Acumulado no Ano M/M₋₁₂
Mai/2026 Jun/2026 Jul/2026 Mai/2026 Jun/2026 Jul/2026 Mai/2026 Jun/2026 Jul/2026
Indústria Geral -0,30 -0,81 -0,83 4,80 3,95 3,09 2,00 2,47 1,94
B – Indústrias Extrativas -5,90 -11,85 -4,38 15,78 2,05 -2,42 16,65 2,64 -4,21
C – Indústrias de Transformação 0,00 -0,26 -0,67 4,31 4,04 3,34 1,36 2,46 2,22
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coord. de Estatísticas Conjunturais em Empresas

Refino de petróleo e biocombustíveis foi o maior destaque na comparação entre julho e junho. A atividade foi responsável por -0,56 ponto percentual (p.p.) de influência na variação de -0,83% da indústria geral. Outras atividades que também sobressaíram foram outros produtos químicos (-0,39 p.p.), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (0,27 p.p.) e indústrias extrativas (-0,19 p.p.).

O acumulado no ano foi de 3,09%. Em 2025, a taxa acumulada até o mês de julho havia sido de -3,43%.

Entre as atividades que, em julho/2026, tiveram as maiores variações no acumulado no ano, sobressaíram: equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (17,56%), borracha e plástico (14,35%), outros produtos químicos (11,51%) e impressão (6,68%).

Na composição do resultado agregado da indústria, na perspectiva deste mesmo indicador (acumulado no ano), as principais influências foram registradas em outros produtos químicos (0,89 p.p.), borracha e plástico (0,57 p.p.), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (0,40 p.p.) e metalurgia (0,23 p.p.).

O acumulado em 12 meses foi de 1,94%. Em junho, este mesmo indicador foi de 2,47%. Os setores com as quatro maiores variações de preços na comparação de julho com o mesmo mês do ano anterior foram: equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (21,10%); impressão (15,04%); borracha e plástico (14,63%); e móveis (8,11%). Os setores de maior influência no resultado agregado foram: alimentos (-0,78 p.p.); borracha e plástico (0,57 p.p.); equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (0,47 p.p.); e metalurgia (0,44 p.p.).

Entre as grandes categorias econômicas, a variação de preços em julho frente a junho repercutiu da seguinte maneira: 2,75% de variação em bens de capital (BK); -1,83% em bens intermediários (BI); e -0,10% em bens de consumo (BC), sendo que a variação observada nos bens de consumo duráveis (BCD) foi de -0,37%, ao passo que nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis (BCND) foi de -0,05%.

A principal influência dentre as grandes categorias econômicas foi exercida por bens intermediários, cujo peso na composição do índice geral foi de 54,10% e respondeu por -1,00 p.p. da variação de -0,83% nas indústrias extrativas e de transformação. Completam a lista, bens de capital, com influência de 0,21 p.p., além de bens de consumo, com -0,04 p.p.. No caso de bens de consumo, a influência observada em julho se divide em -0,02 p.p., que se deveu à variação nos preços de bens de consumo duráveis, e -0,02 p.p. associada à variação de bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Índice de Preços ao Produtor, variação segundo as Indústrias Extrativas e de
Transformação (Indústria Geral) e Grandes Categorias Econômicas, Brasil, últimos três meses
Indústria Geral e Grandes Categorias Econômicas Variação (%)
M/M₋₁ Acumulado no Ano M/M₋₁₂
Mai/2026 Jun/2026 Jul/2026 Mai/2026 Jun/2026 Jul/2026 Mai/2026 Jun/2026 Jul/2026
Indústria Geral -0,30 -0,81 -0,83 4,80 3,95 3,09 2,00 2,47 1,94
Bens de Capital (BK) -0,20 1,08 2,75 -0,98 0,09 2,84 -0,25 1,43 3,70
Bens Intermediários (BI) -0,29 -1,75 -1,83 7,79 5,91 3,96 4,48 3,71 2,16
Bens de Consumo (BC) -0,33 0,20 -0,10 1,82 2,03 1,92 -1,04 0,94 1,27
Bens de Consumo Duráveis (BCD) 0,10 0,42 -0,37 0,41 0,84 0,46 1,74 2,20 1,65
Bens de Consumo Semiduráveis e Não Duráveis (BCND) -0,42 0,16 -0,05 2,10 2,26 2,22 -1,57 0,69 1,19
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coord. de Estatísticas Conjunturais em Empresas

No acumulado no ano, a variação chegou a 2,84%, no caso de bens de capital; 3,96% em bens intermediários; e 1,92% em bens de consumo, sendo que bens de consumo duráveis acumulou variação de 0,46%, enquanto bens de consumo semiduráveis e não duráveis, 2,22%.

Em termos de influência no resultado acumulado no ano, bens de capital foi responsável por 0,23 p.p. dos 3,09% verificados na indústria geral até julho deste ano. Bens intermediários, por seu turno, respondeu por 2,13 p.p., enquanto bens de consumo exerceu influência de 0,74 p.p. no resultado agregado da indústria, influência que se divide em 0,03 p.p. devidos às variações nos preços de bens de consumo duráveis e 0,71 p.p. causados pelas variações de bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

No acumulado em 12 meses, a variação de preços de bens de capital foi de 3,70% em julho/2026. Os preços dos bens intermediários, por sua vez, variaram 2,16% neste intervalo de um ano e a variação em bens de consumo foi de 1,27%, sendo que bens de consumo duráveis apresentou variação de preços de 1,65% e bens de consumo semiduráveis e não duráveis de 1,19%.

No que diz respeito às influências no resultado agregado, com peso de 54,10% no cálculo do índice geral, bens intermediários foi responsável por 1,16 p.p. dos 1,94% de variação acumulada em 12 meses na indústria, neste mês de referência. No resultado de julho de 2026, houve, ainda, influência de 0,48 p.p. de bens de consumo e de 0,29 p.p. de bens de capital.

O resultado de bens de consumo, em particular, foi influenciado em 0,10 p.p. por bens de consumo duráveis e em 0,38 p.p. por bens de consumo semiduráveis e não duráveis, este último com peso de 83,63% no cômputo do índice daquela grande categoria.

Indústrias extrativas: pelo terceiro mês consecutivo, o setor registrou queda de preços no indicador M/M-1. Na passagem de junho para julho, os preços da atividade de extração variaram -4,38%, configurando a quarta maior variação absoluta entre as atividades investigadas pela pesquisa. Ainda em relação aos resultados de curto prazo, a atividade exerceu a quarta maior influência absoluta sobre o índice geral, contribuindo com -0,19 p.p. para a variação de -0,83% observada no período.

Nos indicadores de horizonte mais longo, os resultados de julho foram suficientes para inverter o sinal das variações acumuladas, produzindo os primeiros resultados negativos do ano em ambos os casos. No acumulado do ano, o setor apresenta variação de -2,42%, resultado negativo, porém menos intenso que o observado em julho de 2025, quando o acumulado havia atingido -12,78%. Já na comparação com julho de 2025, os preços do setor recuaram -4,21%.

Observa-se que o resultado do indicador M/M-1 foi relativamente disseminado entre os produtos pesquisados. Em contrapartida, “óleos brutos de petróleo” e “minérios de cobre e seus concentrados, bruto ou beneficiado” continuaram apresentando contribuições positivas nos indicadores de prazo mais longo, atuando como contraponto às quedas observadas no setor.

Por fim, cabe destacar que o comportamento dos preços da atividade permanece alinhado à dinâmica observada no mercado internacional, contribuindo para explicar os resultados verificados no período.

Alimentos: na passagem de junho para julho, os preços do setor avançaram 0,12%. Com isso, nos sete primeiros meses do ano, os preços acumularam variação de 0,47%, cenário distinto de um ano atrás, quando, em julho, acumulava-se uma variação de -7,14%. Continua no campo negativo, a comparação com igual mês de 2025. Os preços atuais são, em média, 3,14% menores do que os de julho de 2025. Embora nessa comparação os preços estejam no campo negativo há 11 meses, o recuo de julho é o menos intenso de todos. De todo modo, a influência do movimento de preços do setor se deu na comparação interanual: o setor se destacou por ter sido a maior influência, respondendo por -0,78 p.p., de 1,94%.

Entre os quatro produtos destacados entre as variações mais intensas e os de maior influência no resultado mensal há apenas um em comum, “leite esterilizado / UHT / Longa Vida”. Entre os quatro de maior influência — lista complementada com “carnes de bovinos frescas ou refrigeradas”, “resíduos da extração de soja” e “açúcar VHP (very high polarization)” —, que respondem por 0,36 p.p., em 0,12%, apenas o ligado ao abate de reses apresentou recuo de preços.

O aumento no preço de “leite esterilizado / UHT / Longa Vida” é explicado em parte por uma demanda mais forte e, em alguns casos, por problemas isolados na captação de leite nas bacias. Já o recuo no preço de “carnes de bovinos frescas ou refrigeradas” responde a uma demanda interna menos aquecida, ao lado da apreciação do real frente ao dólar (no mês, 0,3%; no ano, 6,2%; em 12 meses, 7,5%). É a demanda externa o principal fator de estímulo aos preços de “resíduos da extração de soja”, que avançaram a despeito da apreciação do real. Por fim, o aumento de preços de “açúcar VHP (very high polarization)” está em linha com certa dificuldade — excesso de chuva em algumas áreas produtoras, por exemplo — na colheita e moagem da safra atual.

Refino de petróleo e biocombustíveis: pelo terceiro mês consecutivo, o setor apresentou uma variação negativa de preços na comparação entre o mês atual e o anterior. Em julho, a variação foi de -5,65%, a mais intensa das três. Com isso, o acumulado no ano voltou ao campo negativo (como aconteceu em janeiro e fevereiro do corrente ano), apresentando uma variação de -0,19%. Também no campo negativo apresenta-se a comparação anual (-0,63%). Até março, nesse tipo de comparação, todos os meses apresentaram variação negativa, mas naquele momento em níveis mais intensos que o atual (janeiro, -7,64%; fevereiro, -10,22%; e março, -5,86%). Ou seja, o início, em março, do conflito entre EUA, Israel e Irã marca a inflexão, que durou até junho.

O movimento de preços fez com que o setor apresentasse, entre as 24 atividades levantadas, a segunda mais intensa variação na passagem de junho para julho, no caso uma variação negativa. Graças a isso, foi a maior influência nesse indicador, -0,56 p.p., em -0,83%. Vale lembrar que o setor é o segundo de maior peso atual no cálculo do índice, respondendo atualmente por 9,48% da indústria brasileira.

Os quatro produtos de maior influência no resultado mensal responderam por -5,70 p.p., de -5,65%. Vale dizer que entre esses produtos, os dois de maior peso, “óleo diesel” e “gasolina, exceto para aviação”, não aparecem, ou seja, o movimento de preços apresentados por eles foi menos intenso que os demais.

Outros produtos químicos: em julho, a indústria química vendeu a preços 4,49% mais baratos que os praticados em junho, movimento que indicou uma intensificação da tendência já observada naquele mês, quando o setor havia apresentado recuo de 2,99% nos preços na porta da fábrica.

A nova redução de preços foi a terceira variação setorial mais intensa registrada no IPP na comparação com o mês imediatamente anterior (M/M-1). Com isso, a contribuição dos químicos para a variação de -0,83% no índice geral foi de -0,39 p.p..

Com o segundo recuo consecutivo na porta da fábrica, o acumulado no ano arrefeceu a 11,51% − o indicador havia atingido 20,35% em maio −, mesmo assim a indústria química permaneceu destacada dentre as atividades investigadas pela pesquisa. A taxa de julho foi a terceira maior do IPP em valores absolutos, estando relacionada a uma influência de 0,89 p.p., a maior, no resultado geral de 3,09% das indústrias extrativas e de transformação.

Em 12 meses (M/M-12), a inflação setorial ficou em 3,72%. Após as reduções recentes, os preços médios retornaram a valores inferiores aos praticados durante todo o segundo trimestre de 2026.

O aprofundamento do quadro que havia sido percebido em junho carregou para os números de julho a performance do segmento petroquímico nos dois últimos meses. O grupo econômico de resinas e elastômeros, por exemplo, registrou preços 15,86% menores que os de junho.

Com demanda internacional ainda desaquecida e insumos contratados a custos mais favoráveis, a petroquímica apresentou um cenário disseminado de menores preços na porta da fábrica ao longo de toda a cadeia produtiva.
Borracha e plástico: a atividade apresentou variação de -0,86% na passagem de junho para julho (M/M-1), registrando o primeiro recuo após o período de elevação de preços observado entre abril e maio. Apesar da queda mensal, o setor acumulou 14,35% de alta nos primeiros sete meses de 2026, a segunda maior variação entre as atividades investigadas, enquanto o indicador de 12 meses (M/M-12) atingiu 14,63%, a terceira maior taxa da pesquisa. Esses resultados evidenciam que, embora tenha ocorrido uma retração em julho, a atividade permanece em um patamar elevado de preços quando comparada ao início do ano e ao mesmo período do ano anterior.

Entre os produtos que mais se destacaram em termos de variação acumulada em 2026 e nos últimos 12 meses (M/M-12) figuram “chapa/semelhante de plástico não alveolares e não reforçadas”, “filmes de material plástico (inclusive BOPP) para embalagem”, “sacos de material plástico para embalagem ou transporte” e “espumas de poliuretano”. Todos pertencem ao grupo de “fabricação de produtos de material plástico”, que se destaca nos indicadores acumulado no ano, com uma alta de 19,92%, e acumulado em 12 meses, com um avanço de 21,00%. Dentre os produtos mencionados, os três primeiros também se destacaram pela influência nesses indicadores.

Apesar do recuo da atividade no mês, os produtos “conexões e acessórios de plástico para tubos” e “tubo/cano de plástico, não reforçados, para construção civil” apresentaram variações positivas e figuraram entre as principais influências no resultado mensal, contribuindo para atenuar a intensidade da queda observada no indicador geral. Também cabe destacar que, entre os produtos de borracha (cujo grupo apresentou uma variação mensal de -0,09%), apenas “pneumáticos novos para automóveis e utilitários” apareceu entre os principais destaques da atividade, sobretudo em razão de seu peso relativo, e não de sua variação de preços. Dessa forma, a dinâmica observada em julho permaneceu condicionada pelo comportamento dos preços de produtos de plástico, cujo grupo retraiu 1,14% na passagem de junho para julho.

Portanto, o resultado de julho reforça a percepção de uma gradual normalização da atividade após as pressões de custos registradas ao longo do segundo trimestre. Nesse contexto, a queda observada no indicador mensal sugere uma acomodação dos preços dos produtos plásticos, ainda que de forma lenta e parcial, após o forte movimento de reajustes associado à cadeia petroquímica nos meses anteriores.

Metalurgia: o setor interrompeu uma série de três resultados positivos consecutivos no indicador mensal e apresentou uma queda de 0,67% na passagem de junho para julho. Com isso, o indicador acumulado no ano da atividade desacelerou de 4,13% em junho para 3,43% em julho. O indicador acumulado em 12 meses também permanece no campo positivo, com os preços em julho de 2026 estando, em média, 6,83% mais altos que os de julho de 2025. E são nesses indicadores de longo prazo que o setor se destaca dentre todas as atividades pesquisadas, sendo a quarta principal influência no resultado geral da indústria tanto no acumulado no ano (0,23 p.p. em 3,09%) quanto no acumulado em 12 meses (0,44 p.p. em 1,94%).

Ao analisar o resultado mensal, é possível perceber que, dos quatro produtos de maior influência nesse indicador, um apresentou resultado positivo (“bobinas a quente de aços ao carbono, não revestidos”) e os três que caminharam na mesma direção da atividade, com variação negativa, são do grupo de metais não ferrosos (“ouro para usos não monetários”, “chapas e tiras, de alumínio, de espessura superior a 0,2mm” e “alumínio não ligado em formas brutas”), acompanhando as cotações em bolsas internacionais, principalmente do ouro e do alumínio esse mês, e ainda foram impulsionados pela queda de 0,3% do dólar em julho. Esses quatro produtos de maior influência no indicador mensal impactaram o resultado da atividade em -0,62 p.p., cabendo, portanto, uma influência de -0,05 p.p. aos demais 20 produtos.

O grupo de siderurgia aparece como destaque dentre as variações positivas no mês. No indicador mensal, caminhou na direção contrária do setor e apresentou uma alta de 0,68% em julho. Mas é no indicador acumulado no ano que o grupo aparece como a principal influência no resultado geral da atividade, com uma variação acumulada de 7,77% nesses sete primeiros meses de 2026. Essas variações estiveram relacionadas a uma menor produção de aço no mercado interno, o que acabou limitando a oferta do produto, justificada, principalmente, por pressões oriundas dos custos energéticos, relevantes para a atividade siderúrgica, favorecendo reajustes de preços ao longo da cadeia produtiva. Esse movimento mais que compensou a redução da cotação dos minérios de ferro (principal insumo do aço) no mercado internacional observada nos últimos meses.

Por fim, ainda analisando o indicador acumulado no ano, é possível observar que, dos quatro produtos que mais influenciaram o resultado setorial, apenas o “ouro para usos não monetários” se destaca com um resultado negativo. Os demais produtos apresentaram variação positiva, sendo dois da siderurgia (“bobinas a quente de aços ao carbono, não revestidos” e “lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono”) e um da cadeia do alumínio (“chapas e tiras, de alumínio, de espessura superior a 0,2mm”).

Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos: o preço dos eletrônicos sofreu um relevante choque na porta da fábrica em julho ante o mês anterior, aumento médio de 11,37%.

O choque não encontra paralelo na série histórica do setor, iniciada em janeiro de 2010. Foi a primeira vez que se observou uma variação de dois dígitos na comparação entre meses consecutivos (M/M-1). Em mais de 16 anos, a variação mais intensa registrada nos preços da atividade havia sido um aumento de 5,63% na passagem de março para abril de 2020, durante a eclosão da pandemia de COVID-19.

O aumento nos preços de julho foi disseminado por toda a cadeia consumidora de memórias DRAM e NAND, insumos que sofreram forte reajuste no mercado internacional – a reboque, demais componentes eletrônicos e placas pressionaram o custo ao produtor.

Em julho, a alta dos preços do setor coincidiu com a renovação de contratos de fornecimento de semicondutores e com a elevação dos preços internacionais de memórias e outros componentes eletrônicos. Esse contexto ajuda a interpretar os reajustes observados nos segmentos de telefones celulares e computadores pessoais, cujos produtos estiveram entre as principais influências positivas da atividade no mês.

O choque de julho fez os preços atingirem um patamar sem precedentes na série histórica. O índice de base fixa – IBF (dez./2018 =100) chegou a 152,56 no início do terceiro trimestre de 2026.

Em outubro de 2017 o IBF do setor atingia 95,21, seu valor mínimo histórico, e, após tendência de alta, chegou à máxima em junho de 2026 (136,99). Assim, ao longo de quase dez anos, os preços acumularam alta de aproximadamente 43%. Apenas na passagem de junho para julho de 2026, entretanto, o aumento foi de 11,37%.

A expressividade da alta mensal repercutiu sob várias óticas de comparação. Na comparação com mês imediatamente anterior, a indústria de eletrônicos apresentou a variação mais intensa do IPP. Como consequência, exerceu a terceira maior influência no resultado geral em valores absolutos: 0,27 p.p., tendo representado a principal contribuição positiva para compensar a variação negativa de 0,83% do índice geral.

No acumulado no ano, a inflação setorial saltou de 5,56% em junho para 17,56% em julho. Em 12 meses, a aceleração foi de uma taxa de 7,34% observada no último mês para 21,10% nesse mês de referência. Em ambos os indicadores, o setor registrou as taxas de variação mais intensas entre as atividades investigadas pelo IPP.

Em termos de influência, no acumulado no ano, a atividade respondeu por 0,40 p.p. no índice geral de 3,09% da indústria. Na comparação com o mesmo mês de 2025 (M/M-12), o IPP contou com a contribuição de 0,47 p.p. dos eletrônicos para compor seu agregado de 1,94%. Ambas as influências estiveram entre as quatro mais intensas dentre as calculadas nas indústrias extrativas e de transformação.

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