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Um foguete lançado do Rio Grande do Norte deverá levar ao espaço, ainda em setembro, uma plataforma criada para permitir pesquisas em condições impossíveis de reproduzir da mesma forma na superfície terrestre. A Operação Potiguar 2 parte do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, e pode abrir caminho para estudos brasileiros em áreas que vão de medicamentos e biologia a novos materiais, combustão e agricultura espacial.
Durante o voo, a plataforma será levada a cerca de 100 quilômetros de altitude, onde os experimentos ficam submetidos à microgravidade. Nesse ambiente, materiais, líquidos e processos biológicos comportam-se de maneira diferente, o que permite aos pesquisadores observar fenômenos que a gravidade terrestre interfere diretamente. A utilidade científica está justamente nessa diferença: entender como determinadas substâncias, células ou processos reagem fora das condições habituais pode gerar conhecimento aplicado a pesquisas médicas, tecnológicas e agrícolas.
O lançamento será feito pelo VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço. Dentro dele seguirá a Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável, equipamento brasileiro de aproximadamente 401 quilos. A missão está prevista dentro da janela que vai até 19 de setembro e envolve cerca de 160 militares e servidores civis.
Desta vez, porém, chegar ao espaço representa apenas uma parte do teste. A Operação Potiguar 2 quer verificar se a plataforma consegue retornar à superfície e ser recuperada depois do voo. Esse retorno é fundamental porque permite que os pesquisadores tenham novamente em mãos as amostras, materiais e equipamentos enviados, comparem os resultados e avaliem o que aconteceu durante o período em microgravidade.
A capacidade de mandar experimentos para o espaço e trazê-los de volta amplia as possibilidades do Programa Microgravidade, da Agência Espacial Brasileira, responsável por selecionar pesquisas científicas e tecnológicas para voos suborbitais e orbitais. Com uma plataforma recuperável, diferentes grupos de pesquisa podem utilizar futuras missões para testar materiais, estudar processos biológicos ou observar o comportamento de substâncias em um ambiente de gravidade reduzida.
A missão que sairá do litoral potiguar dá continuidade à Operação Potiguar realizada em 2024. A primeira etapa concentrou-se principalmente nos procedimentos e sistemas ligados ao lançamento; agora, o teste avança para a recuperação da carga depois do voo.
Agricultura espacial é a área de pesquisa que estuda como cultivar plantas e produzir alimentos fora das condições normais da Terra, especialmente em ambientes de microgravidade, como estações espaciais, naves ou futuras bases na Lua e em Marte. Esses estudos observam, por exemplo, como sementes germinam, como as raízes crescem, como água e nutrientes circulam sem a ação normal da gravidade e como as plantas reagem à radiação e a ambientes fechados. O objetivo é entender se seria possível produzir alimentos durante missões espaciais longas e reduzir a dependência de suprimentos enviados da Terra.
No caso da missão que sairá da Barreira do Inferno, “agricultura espacial” aparece como uma das possíveis áreas beneficiadas por experimentos em microgravidade. Isso significa que a plataforma pode, futuramente, ajudar a testar materiais, sementes, células vegetais ou processos ligados ao cultivo em condições espaciais.
