Extrema direita gastou menos e foi mais eficiente em posts nas redes

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Por André Uzêda

A extrema direita gastou menos e teve melhor desempenho do que a esquerda ao impulsionar posts durante a campanha eleitoral de primeiro turno, finalizada no último domingo (5). Isso é o que aponta uma pesquisa feita pela equipe do site independente Notícias Latinas, em parceria com CEL, grupo de pesquisa política do programa de pós-graduação em comunicação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A pesquisa analisou 1.112 postagens pagas, entre agosto e setembro, na Biblioteca de Anúncios da Meta, empresa que controla as páginas do Facebook e do Instagram. O resultado mostra que as campanhas alinhadas a Flávio Bolsonaro (PL) pagaram muito menos e souberam ser mais eficientes para alcançar um grande público nas redes sociais.

O herdeiro de Jair Bolsonaro atingiu 262 milhões de pessoas, gastando R$2,4 milhões em impulsionamento. Já as postagens da campanha de Lula (PT) chegaram a 293 milhões de pessoas, mas ao custo de R$4,4 milhões. Simplificando a conta: Flávio Bolsonaro pagou R$9 por cada postagem que impactou um usuário nas redes. Já a equipe de Lula, R$15.

“Se fala muito de um alinhamento da Meta que favorece a propagação de discursos da extrema direita. Não descartamos isso, mas o que ficou claro em nossa pesquisa é que há um erro de condução de linguagem e narrativa da campanha petista nas redes sociais. Foram feitas opções por tema, tempo de duração do vídeo e divulgação do candidato que se mostraram menos eficientes que a campanha de Flávio”, diz Paulo Henrique de Jesus, editor do site Notícias Latinas e um dos envolvidos na pesquisa.

O levantamento revela que os vídeos da extrema direita, em média, tiveram 52 segundos de duração, enquanto os da esquerda 1 minuto e 38 segundos. Outro exemplo que evidencia o desequilíbrio entre as campanhas é o sentimento destinado em cada material produzido. A esquerda fez mais vídeos falando sobre esperança, enquanto a equipe de Flávio embalou suas produções nos sentimentos de angústia e medo.


“Vídeos mais curtos engajam muito mais que vídeos longos. Isso todo mundo que trabalha em redes sociais já sabe. Outro ponto é que os algoritmos da Meta funcionam muito melhor no rage bait (isca da raiva). Ou seja, falar de esperança chega menos para as pessoas. O algoritmo não quer falar de florzinhas. Ele quer pessoas angustiadas”, analisa Jesus.

Opção pela pulverização

Outro dado da pesquisa é que, enquanto a esquerda concentrou maior quantidade de verba impulsionando campanhas para governo do estado, a extrema direita pulverizou o dinheiro alavancando candidaturas para deputados federais e estaduais. 

Dos 25 anúncios de maior alcance do campo progressista, 15 são da campanha presidencial e de candidatos a governador – o que implica investimentos maiores. No campo extremista, 19 dos 25 são candidatos que concorreram a cargos no legislativo.

Um dado curioso é que os dois maiores recordistas de votos da história do Brasil – Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanatto (PL-SP), com 3,11 milhões de votos e 3,03 milhões, respectivamente  – não impulsionam suas candidaturas nas redes.

“Nosso levantamento não encontrou nenhum post patrocinado deles. Isso indica que tiveram uma distribuição orgânica de conteúdo e alcançaram uma quantidade expressiva de votos sem precisar patrocinar posts. Ao que tudo indica, o próprio eleitorado trabalhou para eles”, conclui Paulo Jesus.

O PL ganhou 121 das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, ampliando a bancada com 24 novos nomes em relação à legislatura passada. Minas Gerais foi o estado que deu a maior quantidade de parlamentares para a legenda, com 21. Em seguida, vem São Paulo (19) e Rio de Janeiro (15). Os três estados são os maiores colégios eleitorais do Brasil.



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