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Eva Potiguara leva poesia indígena ao Festival de Bucareste

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No coração de Bucareste, onde vozes do mundo inteiro se encontram para costurar versos de paz, memória e futuro, ecoa também a poesia de Eva Potiguara. Filha da Aldeia Sagi Jacu, em Baía Formosa, Rio Grande do Norte, ela atravessou oceanos para levar a palavra ancestral ao IV Festival Internacional de Poesia, realizado de 15 a 21 de setembro na Romênia.

““Me sinto rompendo uma barreira em prol da visibilidade cultural e social de mulheres indígenas e do Nordeste brasileiro”, afirma. Atravessar essa barreira, para Eva, não é apenas uma conquista pessoal. É também o gesto coletivo de quem inscreve as vozes originárias na cena literária internacional e reafirma o direito das mulheres indígenas de se reconhecerem escritoras e artistas.

Professora há 35 anos, com graduação em Artes Plásticas, mestrado e doutorado em Educação pela UFRN, Eva soma ao ofício da poesia a experiência de sala de aula e de pesquisadora da cultura indígena. Carrega em sua trajetória prêmios nacionais e internacionais — como o Professores do Brasil, em 2005, e o ISME Pátio, em Madrid, em 2006. Mais recentemente, coordenou o projeto “Álbum Biográfico Guerreiras da Ancestralidade”, que conquistou o Prêmio Jabuti 2023, na categoria Fomento à Leitura.

Em Bucareste, ela descreve sua vivência como um “turbilhão de emoções em diversas línguas, sons e palavras”, no qual cada poeta se torna “escriba de sonhos plurais e desejos viscerais por um mundo mais sensível”. Nos recitais, reconheceu a convergência de temas universais: a preservação da natureza, a proteção das crianças, dos anciãos e das mulheres, e o direito de viver em territórios seguros.

““Esta busca é de todos os povos indígenas, não apenas do Brasil“, retomar.

Como gesto simbólico, Eva doará exemplares de seus livros ao Instituto Camões, em Bucareste. “Espero que desperte o interesse, ou a curiosidade, de ler e ouvir mais da literatura indígena produzida pelos povos originários. Sobretudo, que fomente mais espaços como este para as mulheres escritoras de nossa Terra Pindorama chamada Brasil.”

O festival reúne escritores de diferentes países em recitais, debates e encontros com leitores. A delegação brasileira é formada por Izabelle Valladares, Pietro Lemos Costa, Bernadete Saidelles e Eva Potiguara, com apoio da Embaixada do Brasil em Bucareste e da Associação Internacional de Escritores e Artistas (Literarte). Para o embaixador Ricardo Guerra de Araújo, a presença dos poetas brasileiros fortalece a ponte cultural e diplomática entre os dois países.

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