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DE NOVO A MÁQUINA? Prefeito interino faz palanque com dinheiro público e repete roteiro que cassou ex-gestão em Ouro Branco

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Carnaval ou comício? Prefeito interino de Ouro Branco–RN usa palco pago pelo povo, cita eleição e desafia a justiça eleitoral: “SE MULTAR, EU PAGO”

A cena causa indignação e levanta um alerta grave: o prefeito interino e pré-candidato à eleição suplementar, Amariudo Santos, utilizou palco e estrutura custeados pela Prefeitura para fazer discurso com teor claramente eleitoral no encerramento do Carnaval do município. A fala ocorreu após o Arrastão das Virgens, em evento financiado com recursos públicos.

No microfone, o gestor mencionou diretamente a eleição marcada para 17 de maio, exaltou feitos da própria administração e ainda declarou, em tom desafiador:

“Se me empurrarem uma multa eleitoral, eu não me incomodo, eu pago.”

A legislação eleitoral é clara: agente público não pode utilizar bens ou serviços custeados pelo poder público para promoção de candidatura. Quando isso acontece, pode haver enquadramento como abuso de poder político e conduta vedada.

Especialistas ouvidos pelo portal avaliam que, dependendo da interpretação do contexto — palco público, menção expressa à eleição, promoção pessoal e presença de aliados políticos — o caso pode resultar não apenas em multa, mas em cassação e inelegibilidade.

Relatos apontam que o público já estava abaixo do esperado. No vídeo (assista ao vídeo acima) que chegou ao Portal OBNews, é possível ver que quando o discurso começou, o desconforto foi evidente. Foliões que esperavam música ouviram política.

No palco estavam também os aliados do Prefeito interino, os vereadores Paulo Dantas e Celso Garofa, este apontado como pré-candidato a vice-prefeito — reforçando o tom eleitoral do momento.

E diferente do que foi dito no microfone, na Justiça Eleitoral não se trata apenas de “pagar multa”. Dependendo da gravidade, a consequência pode ser muito maior.

Um histórico que pesa

O ponto mais sensível da situação é o contexto político.

Amariudo Santos só ocupa hoje o cargo de prefeito interino e é pré-candidato na eleição suplementar justamente porque o ex-prefeito Samuel Souto foi cassado justamente por abuso de poder político e econômico — após decisão da Justiça Eleitoral que entendeu ter havido uso da máquina pública para favorecer sua reeleição.

Ou seja: o município realiza nova eleição exatamente devido a um caso de abuso envolvendo a estrutura administrativa.

E agora, às vésperas do novo pleito, surgem indícios de prática semelhante.

O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura.

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