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O trabalho de 17 artesãs de crochê do Seridó potiguar chega à São Paulo Fashion Week (SPFW), um dos principais eventos de moda do país, nesta semana. Por trás das peças que serão apresentadas na capital paulista estão técnicas artesanais transmitidas entre gerações, referências à arquitetura do interior e elementos da paisagem sertaneja transformados em roupas. A Coleção Poti será exposta e comercializada entre quarta-feira (14) e sexta-feira (16), no HUB SPFW, com lançamento oficial marcado para quinta-feira (15), às 18h.
Desenvolvida a partir de uma parceria entre o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN) e o Instituto Riachuelo, a coleção reúne produções dos grupos Acari Criativa, de Acari, e Casa do Artesão do Seridó, de Caicó. Com mentoria da estilista Celina Hissa, da marca Catarina Mina, o projeto busca aproximar o fazer artesanal da moda autoral e ampliar as possibilidades de comercialização do trabalho das artesãs.
A coleção foi apresentada inicialmente em julho, durante o Ginga Moda, evento do setor realizado no Rio Grande do Norte. Agora, a produção potiguar ganha espaço em uma das principais vitrines da moda brasileira, levando ao público de outras regiões criações que têm no território e nos saberes manuais sua principal referência.
A Coleção Poti é dividida em duas linhas. Morada no Meu Caicó parte da arquitetura tradicional de Caicó e de outras cidades do Seridó, com fachadas e casas coloridas traduzidas em formas e combinações de tons como laranja queimado, rosa, azul-turquesa e mostarda. Já a linha Acari tem como inspiração o peixe que dá nome ao município e trabalha com tonalidades de verde, azul e off-white.
Para Heloísa Kariery, coordenadora da Casa do Artesão do Seridó, a participação no evento representa uma oportunidade de ampliar o reconhecimento das profissionais que estão por trás das peças.
“Estar no SPFW mostra a nossa força e participação na moda autoral, além de tirar a artesã da invisibilidade e mostrar que grandes marcas reconhecem o nosso valor”, afirma.
A previsão é que entre 10 e 20 looks, conjuntos completos de roupas, sejam apresentados no espaço do Sebrae. Mais do que inserir o crochê em novas propostas de vestuário, a iniciativa coloca em evidência o trabalho manual como parte da criação de moda, valorizando a identidade cultural do Seridó e o conhecimento técnico das artesãs.
Além da Coleção Poti, três marcas autorais do Rio Grande do Norte participam do HUB SPFW: Gueorguia, Funlab e Dali. As grifes apresentam criações próprias que exploram referências culturais, paisagens, artesanato e elementos da flora potiguar, cada uma a partir de sua linguagem estética.
Criada pela estilista Georgia Dantas, a Gueorguia trabalha com moda feminina e combina vestuário, arte, artesanato e referências da gastronomia regional, com destaque para o sertão e o Seridó. A proposta incorpora cores fortes e elementos associados ao verão nordestino.
A Funlab, fundada por Priscilla Porcino, surgiu no segmento de roupas para corrida de rua, por meio da marca Funfit, e ampliou a atuação para a moda casual. A grife reúne peças esportivas, roupas leves e camisetas com estampas exclusivas inspiradas na cultura local.
Já a Dali, da estilista Daliana Ramalho, transforma paisagens, patrimônio cultural e elementos da flora do Rio Grande do Norte em estampas e peças autorais. Para a participação no evento, a marca leva a coleção Xanana, nome de uma flor que cresce na região e que a estilista identifica como “a flor de Natal”. O trabalho combina criação própria e técnicas artesanais.
Para Daliana, a presença na SPFW permite apresentar a produção desenvolvida no estado a novos públicos e reforçar a diversidade da moda brasileira para além dos grandes centros.
“É uma oportunidade de mostrar que existe uma moda potente sendo criada longe dos grandes centros, que nasce da nossa cultura, da arte potiguar e do nosso olhar sobre o território”, afirma.
A participação das artesãs e das marcas potiguares ocorre em um momento de crescimento da produção de roupas no estado. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de confecção de vestuário no Rio Grande do Norte aumentou 41,5% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
No intervalo, a indústria geral potiguar registrou retração de 10,7%, enquanto a indústria de transformação recuou 11,5%. Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), divulgados em julho, o segmento de confecção reúne 20.915 trabalhadores formais, equivalentes a 32,9% dos empregos da indústria de transformação no estado.
A presença na São Paulo Fashion Week amplia, assim, o espaço de circulação da produção potiguar. No caso das artesãs do Seridó, a oportunidade também leva para o circuito nacional da moda um trabalho construído a partir do conhecimento manual, das referências locais e da criação coletiva, mostrando como técnicas tradicionais podem ocupar novos espaços sem perder o vínculo com o território de origem.
*Com informações do Sebrae-RN
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