Regina Casé: ‘Como atriz, sou celebrada; como apresentadora, tenho haters’

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Crédito, Renato Mangolin/Divulgação

Legenda da foto, Regina Casé em cena do monólogo Viva! Vida!em cartaz em São Paulo

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  • Tempo de leitura: 6 min

É uma biografia da Terra, a peça que Regina Casé preparou para o seu retorno aos palcos após um hiato de sete anos. Viva! Vida!que estreou na quinta-feira (9/7) em São Paulo, vai da formação do planeta até os algoritmos que regem as redes sociais.

Guiada por um roteiro marcado pela improvisação e por uma performance que vai do choro ao riso, não necessariamente nesta ordem, a atriz não tem medo de abraçar o mundo — e todo mundo —, seja durante o espetáculo, ao descer do palco para conversar com a plateia, que pode até usar o celular, seja ao fim da apresentação, na hora de tirar fotos com os fãs.

“Eu deixo tudo. Só peço para não usar flash, porque as outras pessoas reclamam, mas nem isso me incomoda. O que a gente precisa é estar conectado, em comunhão. Tem vários tipos de peça, eu respeito, não acho errado quem proíbe (celular), mas não tenho a necessidade de ter o palco como um altar. Eu sou da rua, da encruzilhada, da bagunça, da muvuca, da multidão, sabe?”, diz ela à BBC News Brasil, por videochamada, em uma brecha dos ensaios.

Quebrar a barreira entre o palco e a plateia, o sofá e a TV, é algo que Casé sempre fez. Desde o teatro anárquico que a formou como atriz nos anos 1970, no extinto grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, quando instigava o público até a interpretar o cenário de seus espetáculos. Até sua trajetória como apresentadora de programas como Brasil Legal, Muvuca, Central e Arredores e Esquenta!.

Mas nem sempre foi aplaudida por isso. Esquenta!diz a atriz, foi alvo de críticas por dar protagonismo a pessoas, artistas e manifestações culturais marginalizadas. “Essas pessoas estavam fora da TV. Elas furaram a bolha da invisibilidade. É natural que tenha havido uma onda de preconceito. Tem períodos mais difíceis, outros melhoram um pouquinho, e a gente vai lidando com isso”, afirma.

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