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UM cachaça brasileira começa a ganhar espaço em Portugal e em outros mercados europeus, impulsionada por iniciativas que buscam reposicionar a bebida como produto premium e símbolo cultural do Brasil. Tradicionalmente associada ao consumo popular, a cachaça passa por um processo de valorização no exterior, com presença crescente em bares especializados, restaurantes e eventos do setor.
Um dos nomes por trás desse movimento é o da empresária carioca Raquel Lopes, radicada em Portugal desde 2016. À frente da Casa Cachaça, braço da importadora BRZ Select, ela atua na curadoria, distribuição e promoção de rótulos brasileiros, conectando pequenos produtores a mercados internacionais mais exigentes.
(Lenda)© Divulgação
Hoje, a empresa reúne cerca de 30 marcas, que vão desde produções artesanais de alambique até rótulos premiados. O trabalho inclui não apenas a comercialização, mas também a formação de público e de profissionais, com foco em ampliar o entendimento sobre a bebida. “Não se trata de vender um produto, mas de abrir caminhos para que a bebida seja compreendida e valorizada no lugar que merece estar”, afirma.
A estratégia envolve posicionar a cachaça em ambientes tradicionalmente ocupados por outros destilados, como whisky, gin e rum, além de inseri-la em cartas de coquetelaria contemporânea. Em paralelo, há um esforço para associar a bebida à identidade cultural brasileira, destacando sua origem, diversidade e métodos de produção.
Portugal tem desempenhado papel central nesse processo, funcionando como porta de entrada para o mercado europeu. A partir do país, a atuação da BRZ Select já se expandiu para destinos como Espanha, França, Itália e Irlanda, ampliando a presença da cachaça no continente.
Além da bebida, a empresa também passou a exportar outros ingredientes da gastronomia brasileira, como tucupi, jambu, dendê e leite de coco, reforçando a proposta de difusão cultural por meio da alimentação e da mixologia.
Para especialistas do setor, a internacionalização da cachaça representa também uma oportunidade econômica. A abertura de novos mercados pode gerar receita em moeda estrangeira e fortalecer a posição do Brasil no competitivo cenário global de destilados.
Eventos dedicados ao segmento têm contribuído para essa visibilidade. Um exemplo é o Cachaça Fest, festival itinerante criado em Lisboa e lançado durante o Lisbon Bar Show de 2025. O encontro reuniu compradores, profissionais da indústria e imprensa internacional, consolidando a bebida como um produto em expansão fora do país.

