Boto afirma que Abel ‘fez a carreira’ no Brasil e diz que Neymar foi ‘injustiçado’

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J.osé Boto, diretor de futebol do Flamengo, vê em Abel Ferreira uma característica única em sua trajetória no Brasil: o treinador construiu a carreira por aqui e não chegou ao país já consolidado. Em entrevista à ESPN, o português falou sobre o caminho percorrido pelo compatriota e o comparou a nomes como Jorge Jesus e Leonardo Jardim.

Para o dirigente, o multicampeão pelo Palmeiras deve boa parte do que conquistou ao passar pelo clube alviverde, diferentemente dos outros dois técnicos, que já acumulavam títulos nacionais e experiências com grandes jogadores. Boto, no entanto, ressaltou que isso não significa que os trabalhos anteriores de Abel tenham sido ruins.

“Eu acho que o Abel deve toda a sua carreira ao Brasil, ou seja, é daqueles que o Brasil fez treinador”, afirmou Boto, antes de comparar a trajetória do palmeirense às de outros portugueses. “O Jorge Jesus e o Leonardo construíram suas carreiras antes de chegar ao Brasil.”

“O Abel treinou o Braga, e não estou dizendo se foi mal ou bem. Depois, treinou o PAOK e saiu de lá para o Palmeiras. Toda a carreira de sucesso dele foi construída aqui”, completou.

Boto também elogiou a escola portuguesa de treinadores.

“O fato de ocuparmos o lugar que ocupamos no futebol mundial diz muito sobre a qualidade do futebol português”, declarou.

O dirigente ainda foi questionado sobre uma possível passagem de Neymar pelo Flamengo, assunto que frequentemente volta a ganhar espaço na imprensa e nas redes sociais. Boto afastou qualquer negociação do clube com o atacante, mas afirmou considerar o jogador um “injustiçado”.

“Acho que foi um dos jogadores mais injustiçados em sua carreira. Em termos de qualidades físicas e técnicas, ele está no nível de Cristiano Ronaldo e Messi”, analisou.

Na avaliação do dirigente, a permissividade dos árbitros diante das faltas sofridas por Neymar pode ter contribuído para o histórico de lesões do brasileiro.

“Uma coisa que eu sempre disse: entre os três grandes jogadores, ele foi o menos protegido pelos árbitros. Deixaram bater muito nele, e isso ajudou a provocar muitas contusões”, concluiu.

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