Artesãs do Seridó levam identidade local às passarelas

Anúncios

Getting your Trinity Audio player ready...

“Cada lugar possui sua própria identidade. Não existe artesanato sem pensar no território e nas pessoas que constroem essa história.” A reflexão da designer Celina Hissa resume o espírito da coleção Poti Fios e Linhas, apresentada durante o Ginga Moda RN. O projeto une o trabalho de 17 artesãs do Seridó ao design contemporâneo para transformar memórias, paisagens e saberes tradicionais em peças de moda.

A coleção desfilada é resultado de um processo colaborativo que aproximou as crocheteiras da Acari Criativa e da Casa do Artesão do Seridó da equipe criativa da marca Catarina Mina. O objetivo foi traduzir, por meio do crochê, elementos da identidade seridoense e ampliar as oportunidades de mercado para quem vive do fazer manual.

A trajetória da coleção foi apresentada em um painel mediado por Verônica Melo, gerente da Unidade de Desenvolvimento Setorial do Sebrae-RN. Participaram do debate a fundadora da Catarina Mina, Celina Hissa, a gerente do Instituto Riachuelo, Renata Fonseca, e a artesã Leonete Gorgônio, representante da Casa do Artesão do Seridó.

Durante a conversa, Verônica destacou que o artesanato ocupa hoje um espaço cada vez mais relevante na moda, justamente por carregar histórias e processos que não podem ser reproduzidos em escala industrial:

“Vivemos em um mundo cada vez mais industrializado, mas a manualidade nunca esteve tão valorizada. O Brasil possui uma diversidade artesanal imensa, e esse conhecimento precisa ser cada vez mais incorporado ao desenvolvimento de produtos”, afirmou.

Reconhecida nacionalmente pelo trabalho que conecta design e produção artesanal, Celina Hissa defendeu que qualquer criação nasce do território onde é produzida.

“Cada lugar possui sua própria identidade. Não existe artesanato sem pensar no território e nas pessoas que constroem essa história”, disse.

Representando as artesãs, Leonete Gorgônio contou que o projeto mudou sua perspectiva sobre o próprio trabalho. Há seis anos dedicada ao crochê, ela deixou o setor de franquias para viver do artesanato e afirma que a iniciativa abriu portas que pareciam distantes.

“Esse projeto nos mostrou possibilidades que muitas vezes imaginávamos distantes. Para quem vive no interior, é uma oportunidade de levar nosso trabalho para outro patamar e perceber que ele tem valor e reconhecimento”, afirmou.

Após o debate, o público acompanhou um desfile com as peças desenvolvidas pelas artesãs e pôde conhecer de perto as duas coleções apresentadas.

A primeira delas, Morada no Meu Caicó, parte das memórias afetivas ligadas à arquitetura da cidade. As casas, fachadas coloridas e construções tradicionais inspiram formas, volumes e texturas que transformam o crochê em elemento estrutural das peças. A cartela reúne tons de laranja queimado, rosa, azul-turquesa e mostarda, em uma leitura contemporânea das paisagens urbanas do Seridó.

Já a coleção Acari busca inspiração no peixe que dá nome ao município, símbolo de resistência no semiárido. As modelagens remetem às formas orgânicas das rochas, dos rios e da anatomia do animal, enquanto os tons de verdes minerais, azuis aquáticos e off-white reforçam a conexão entre natureza, memória e pertencimento. Em ambas as coleções, o crochê deixa de ser apenas técnica artesanal para se tornar linguagem de design, preservando a identidade cultural do território sem abrir mão da inovação.

SAIBA MAIS:
Marca de bolsas de crochê do RN faz primeira exportação para a Inglaterra
RN já reúne 2 mil empresas em polo de moda autoral, artesanal e criativa

Confira o conteúdo original aqui!

Mais artigos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimos artigos