|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Os movimentos Endireita RN e Direita UFRN anunciaram que orientam seus integrantes e apoiadores a não realizar novas mobilizações na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) neste momento, após o episódio de violência registrado na segunda-feira (19), no campus central, em Natal. Em nota de esclarecimento publicada nas redes sociais, os grupos também negaram vínculo com uma manifestação intitulada “Manifestação Pacífica do PL”, convocada para esta sexta-feira (23).
Segundo os movimentos, o ato não conta com sua organização, participação ou apoio institucional. Na nota, eles afirmam ainda que a convocação estaria sendo utilizada por militantes políticos de esquerda para “fins de manipulação de narrativas falsas contra a direita”.
“Diante dos recentes episódios de violência e intimidação envolvendo integrantes de entidades estudantis de esquerda no âmbito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), entendemos que o momento exige prudência, responsabilidade e, sobretudo, o devido rigor na apuração dos acontecimentos pelas autoridades”, diz o comunicado.
Os grupos também afirmam que a orientação para não promover novas mobilizações e não participar de atos busca preservar a integridade física, a segurança e o bem-estar dos estudantes.
O posicionamento ocorre após o confronto entre apoiadores do bolsonarismo e estudantes durante uma manifestação realizada na universidade, que contou com a presença do deputado federal General Girão (PL-RN) e da vereadora de Natal Camila Araújo (PL). O episódio terminou com agressões físicas, estudantes feridos e repercussão entre instituições acadêmicas e órgãos de Justiça.
Ato bolsonarista terminou em confronto
A manifestação realizada na segunda-feira foi intitulada “Vire à direita: UFRN anti-Lula” e reuniu apoiadores da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A mobilização provocou reação de estudantes e terminou em confronto físico no campus central da universidade.
Durante o episódio, o estudante de Jornalismo Henrique Neiva foi agredido. Ele registrou boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito. Segundo o relato apresentado à polícia, o estudante sofreu lesões na boca e nos dentes, além de hematomas no braço direito. Ele também relatou ter sido atingido por socos, chutes e golpes com um capacete. O caso ampliou a cobrança por responsabilização dos envolvidos e levou a universidade a repudiar os atos de violência registrados no campus.
Saiba Mais: Girão e mais bolsonaristas provocam estudantes e ato acaba em briga na UFRN
Saiba Mais: Estudante agredido na UFRN sofreu trauma no dente e registra BO
Justiça impõe restrições a parlamentares
Após o episódio, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) impôs restrições a General Girão e Camila Araújo. A decisão estabelece limitações ao uso de equipamentos de amplificação sonora nas proximidades de instituições de ensino em funcionamento durante manifestações político-eleitorais.
A medida prevê multa individual de R$ 15 mil em caso de descumprimento e permanece válida até o encerramento da votação do segundo turno das eleições de 2026.
A decisão não proíbe manifestações políticas nas universidades, mas estabelece limites para o uso de equipamentos de som nas condições determinadas pela Justiça Eleitoral.
Saiba Mais: Após violência na UFRN, TRE impõe restrições a General Girão e Camila
MPF investiga intimidação e censura
O Ministério Público Federal (MPF) também abriu investigação sobre suspeitas de intimidação, censura e ameaças à liberdade de expressão e de reunião em instituições federais de ensino do Rio Grande do Norte durante o período eleitoral.
A apuração envolve episódios registrados em Natal, Mossoró e Apodi, incluindo os acontecimentos na UFRN. O órgão solicitou informações às instituições de ensino para esclarecer as ocorrências e as medidas adotadas para proteger estudantes e servidores.
Saiba Mais: MPF investiga intimidação e censura em instituições federais do RN
Saiba Mais: Após violência de ato bolsonarista, estudantes convocam caminhada em defesa da UFRN
