Girão e mais bolsonaristas provocam estudantes e ato acaba em briga na UFRN

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Uma manifestação bolsonarista realizada, nesta segunda-feira (19), no campus central da UFRN, em Natal, terminou em briga, confusão e estudantes feridos. O ato foi organizado por um grupo que se autointitula Direita UFRN, mas segundo informações coletadas no local, a maior parte dos baderneiros era formada por pessoas de fora, entre elas o deputado federal General Girão (PL), a vereadora Camila Araújo (PL) e o presidente estadual do Partido Novo, Renato Cunha Lima. Os três aparecem em vários vídeos gravados no local do confronto. A manifestação foi convocada com o nome de “Vire à direita: manifestação anti-Lula”.

O som de um dos carros foi ligado às 16h, durante as aulas do período vespertino, atrapalhando o estudo dos universitários. Algumas provas também foram suspensas em razão da briga.

Segundo depoimentos de estudantes, o deputado Girão foi um dos cabeças do movimento e um dos que mais provocou os alunos. Uma grade que dá acesso ao setor IV, onde ficam os cursos de engenharia, foi quebrada pelos bolsonaristas.

Houve confronto físico, pelo menos um aluno foi chutado no chão e teve cortes na boca.

Aulas suspensas

Os bolsonaristas chegaram ao estacionamento do setor IV por volta das 16h com dois carros: em um deles, estava um boneco do presidente Lula com uma roupa de presidiário, vestimenta usada hoje pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, julgado e condenado por tentativa de golpe de Estado no país. No outro veículo foi colocado um som no estilo paredão.

Assim que ligaram o som, bolsonaristas que se revezaram ao microfone, entre elas uma mulher com uma criança de 8 meses no colo, começaram a xingar estudantes que se aglomeraram próximo ao ato, inicialmente para observar a movimentação. As ofensas iam de “maconheiros” a “vagabundos”, além de outros ataques.

Segundo o estudante de Ciências Sociais, Luís Felipe Costa Dantas, que chegou cedo ao local, o discurso do general Girão chamou a atenção dos alunos que acompanhavam o protesto:

“Girão foi uma das pessoas que começou a provocar e disse que, a partir de 2027, os estudantes de Direita não seriam mais perseguidos na UFRN. Ele destacou que só os de direita não sofreriam perseguição, e isso chamou a atenção da gente. Assim que ligaram o microfone começaram a provocar. E aí foi juntando gente”, afirmou.

Dantas conta que à medida que as ofensas foram escalando, estudantes foram chegando de vários setores da universidade e passaram a ser maioria. A partir daí, os ataques verbais partiram dos dois lados. Bolsonaristas também arremessaram pedras e cocos. Houve revide. Um motoqueiro apoiador de Flávio Bolsonaro aparece em uma imagem acertando um estudante com um capacete.

Os estudantes que apoiam o presidente Lula revidaram os ataques e alguns manifestantes entraram em confronto físico, mas não há informações sobre ferimentos graves. Professores de alguns cursos chegaram ao local para tentar acalmar os ânimos. As brigas dispersaram por volta das 18h com xingamentos dos dois lados.

“Quando a confusão escalou, alguns professores e representantes do Comitê UFRN chegaram fazendo barreira para que os estudantes do nosso lado não avançassem também. A maioria dos bolsonaristas eram de fora. Eles chegaram em seus carros e usavam o estacionamento. Eram poucos estudantes de direita, dava para contar nos dedos”, contou Luis Felipe.  

Como haviam parlamentares em um ato político, uma denúncia foi realizada no aplicativo pardal, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que enviou uma equipe até o local. A segurança da UFRN chegou ao local após a dispersão. A agência SAIBA MAIS tentou contato com a equipe de segurança, mas não obteve retorno.

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