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Por Iago Filgueiras
O professor e pesquisador Hugo Allan Matos, coordenador da pós-graduação do ICL em Teoria Crítica da Sociedade, foi convidado para atuar como co-coordenador da seção Filosofia da Libertação do XXVI Congresso Mundial de Filosofia. O encontro será realizado entre os dias 16 e 23 de agosto de 2028, na Universidade de Tóquio, no Japão.
O convite partiu da filósofa sul-coreana Heisook Kim, presidente da Federação Internacional de Sociedades de Filosofia (FISP), entidade responsável pela realização do congresso. A expectativa é de que o encontro reúna cerca de 4 mil pesquisadores de diferentes países e tradições filosóficas para debater questões contemporâneas e promover o intercâmbio de conhecimentos.
Para Hugo Allan Matos, a indicação representa um “reconhecimento que vai além da trajetória individual” e se estende também às instituições, aos pesquisadores e aos estudantes com os quais desenvolve atividades de ensino e pesquisa.
O professor também vê no convite uma oportunidade de ampliar a presença do pensamento filosófico latino-americano nos debates internacionais, especialmente de correntes dedicadas à compreensão das desigualdades, das relações de dominação e das possibilidades de transformação social.
Congresso Mundial de Filosofia reunirá pesquisadores no Japão
Realizado com o apoio da Federação Internacional das Sociedades Filosóficas (FISP), o Congresso Mundial de Filosofia teve sua primeira edição em 1900, em Paris, na França. Desde 1948, os encontros ocorrem regularmente e, atualmente, são realizados a cada cinco anos.
A 26ª edição terá como tema Philosophy: A Place for Open Dialogue (Filosofia: Um Lugar para o Diálogo Aberto). Para Hugo Allan Matos, a proposta ganha importância em um cenário marcado por polarizações, conflitos culturais e desigualdades crescentes. Segundo o professor, “reafirmar a filosofia como espaço de diálogo aberto representa uma defesa da escuta, da pluralidade e da convivência democrática”.
Filosofia da Libertação coloca a América Latina no centro do debate
Hugo Allan Matos será co-coordenador da seção dedicada à Filosofia da Libertação, corrente de pensamento que ganhou força na América Latina entre as décadas de 1960 e 1970, em um contexto marcado por ditaduras militares, desigualdades sociais e debates sobre a herança do colonialismo. Entre seus principais expoentes está o filósofo argentino Enrique Dussel.
A corrente parte de uma questão central: como pensar a sociedade a partir da realidade daqueles que historicamente foram colocados à margem? Para isso, propõe uma reflexão crítica sobre as estruturas de dominação e as desigualdades, buscando alternativas éticas e políticas que considerem as experiências e os conhecimentos dessas populações.
A Filosofia da Libertação também questiona o predomínio de tradições europeias na produção do conhecimento filosófico, defendendo que diferentes realidades históricas e culturais sejam reconhecidas como espaços legítimos de construção do pensamento.
Para Matos, a presença dessa corrente no congresso contribui para ampliar a participação do chamado Sul Global nos debates filosóficos internacionais, dando visibilidade a perspectivas que, durante muito tempo, ocuparam posições secundárias nesses espaços.
Essa preocupação também atravessa as pesquisas do professor. Em seus estudos, Matos desenvolve reflexões sobre alteridade e humanização, buscando compreender como as pessoas constroem relações e vivem em comunidade sem que suas diferenças precisem ser apagadas.
Formação crítica e diálogo internacional
No ICL, Hugo Allan Matos integra a coordenação da pós-graduação em Teoria Crítica da Sociedade, formação desenvolvida em parceria com a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
Lançado em novembro de 2025, o curso reúne professores brasileiros e internacionais e propõe uma abordagem interdisciplinar dos fenômenos sociais, articulando conhecimentos de filosofia, política, direito, economia e psicanálise.
A participação de Matos na organização do XXVI Congresso Mundial de Filosofia também abre espaço para aproximar as discussões desenvolvidas nas instituições brasileiras de ensino e pesquisa dos debates realizados em outras partes do mundo.
Para o pesquisador, o convite reforça a importância do reconhecimento da produção filosófica latino-americana e demonstra que reflexões construídas a partir das realidades da região podem contribuir para os grandes debates internacionais.
