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Vamos ser justos: a senadora Zenaide Maia (PSD), derrotada em seu projeto de reeleição, está longe de ser uma “traidora da esquerda” no Rio Grande do Norte. Ela e a governadora Fátima Bezerra, aliás, mantém uma relação de respeito e afeto recíproco.
Afinidade que começou quando Zenaide foi a única deputada federal em 2016 a votar contra o golpe que derrubou Dilma Rousseff da presidência, enquanto Fátima travava a mesma luta no Senado.
O instinto de sobrevivência, somado às circunstâncias políticas da eleição municipal de 2024 em São Gonçalo do Amarante e o pleito atual em 2026, levaram Zenaide e Jaime Calado, marido e atual prefeito de SGA, a romper a parceria com o PT e o governo Fátima, onde Calado foi secretário de Desenvolvimento Econômico durante o período que desejou.
No novo arranjo, e a escolha pela oposição, a senadora e vice-líder do governo no Senado perdeu o apoio do maior cabo eleitoral da região, o presidente Lula, que pediu votos desde o início da campanha para Samanda e Rafael Motta.
Ainda assim, Zenaide não pode reclamar: foi o segundo voto de muitos eleitores do campo progressista ante o medo da possível eleição do coronel Hélio, candidato bolsonarista imposto por Rogério Marinho na chapa de Álvaro Dias (PL).
Com Styvenson Valentim (Podemos) já consolidado como o primeiro voto da direita e da extrema direita, e Fátima Bezerra na iminência de renunciar ao governo para concorrer ao Senado e a posterior decisão de apoiar Samanda, Zenaide optou por uma terceira via, a partir de uma aliança com um aliado que prometeu tudo e lhe entregou muito pouco.
Allyson Bezerra, o candidato ao governo mais votado em Mossoró com 56% dos votos, não teve o mesmo empenho em sua casa para garantir os votos que Zenaide precisava. O resultado foi um frustrante quarto lugar no município, com 41.437 votos, ou 16,12%, ficando atrás de Styvenson, Samanda e do coronel Hélio.
No comparativo com 2018, quando contou com o apoio de Fátima Bezerra, Zenaide foi proporcionalmente a segunda mais votada em Mossoró. Outro dado que reforça a falta de esforço do ex-prefeito de Mossoró em relação a Zenaide é que a esposa dele candidata à deputada estadual, Cínthia de Allyson, foi a mais votada entre todos os concorrentes na cidade, com mais de 32 mil votos. Ela foi eleita, Zenaide não.
Ao contrário de Allyson, a senadora entregou o que garantiu ao aliado: a maior votação entre todos os candidatos em São Gonçalo, berço político da família, com 45,01% dos votos.
E agora que o 2° turno é um plebiscito entre dois projetos distintos em nível nacional e estadual, qual será a posição de Zenaide? Terá o mesmo empenho para manter ou até ampliar a votação de Allyson em São Gonçalo depois do balde de água fria que levou em Mossoró? Ou vai reorganizar o tabuleiro de olho em 2028 e pensando em um eventual retorno em 2030?
Em entrevista recente, a senadora eleita Samanda já disse que Zenaide será bem-vinda no palanque de Cadu de Lula e do presidente Lula. E citou exatamente a falta de compromisso de Allyson durante a campanha.
O partido de Zenaide, o PSD, já anunciou que vai liberar os filiados a votarem em quem quiserem para presidente. Por outro lado, o União Brasil, ao qual Allyson é filiado, já garantiu apoio a Flávio Bolsonaro no 2° turno.
Em uma eleição tão decisiva para a democracia do país, e sendo Zenaide uma democrata até aqui, o eleitor tem o direito de saber em que palanque estará a senadora: o de Lula ou de Flávio Bolsonaro?
