Quem ganhou sem disputar e quem mudou de lado e perdeu

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Apurados os votos das eleições deste domingo, algumas conclusões saltam aos olhos, até daqueles que insistem em não querer enxergar a verdade das urnas.

A primeira é a de que vivemos um novo tempo e, como cantor Belchior, “o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo e precisamos todos rejuvenescer”. Daí a razão de tantos políticos tradicionais ficarem à beira do caminho.

Uma outra é a de que o processo eleitoral não se decide durante a campanha, mas muito antes de seu início propriamente dito e que, nem sempre a vontade expressa nas urnas pode ser captada pelas lentes dos institutos de pesquisas eleitorais.

São as decisões – acertadas ou não – que são tomadas ao longo do caminho dos candidatos e se refletem quando chega a hora da prova final, como ocorreu mais uma vez nessa campanha que se encerrou neste domingo.

Nomes apontados na liderança das pesquisas quase sempre se confirmam quando a Justiça Eleitoral abre as urnas. Outros, mesmo bem citados nas pesquisas, se perdem pelo meio da batalha e ficam de fora da festa da vitória.

Por falar em pesquisa, assistimos a mais um festival de falsos profetas cantando vitória antes da hora e vendendo números que nada continham de verdadeiros. Por ação deliberada ou por incapacidade metodológica, eles induziram milhões de eleitores ao erro de julgamento e não podem seguir impunes.

Concretamente, entre vitoriosos e derrotados há sempre os que a vitória surpreende e os que a derrota não se esperava, mas que todo mundo torcia para que se tornasse uma realidade.

Para quem apanhou sem dó, nem piedade, desde o primeiro dia de seu mandato e, com a chegada de campanha, enfrentou a artilharia pesada das máquinas de propaganda mantidas pelos especuladores da avenida Faria Lima, pelos falsos conservadores e até das forças vindas dos Estados Unidos e de Israel, Lula foi o grande vencedor.

Resta saber onde encontrará forças para virar o jogo e sair vitorioso mais uma vez, mesmo sabendo que seu próximo mandato será ainda mais difícil do que o atual, porque a bancada de direita na Câmara e no Senado, aliados às elites e aos gananciosos do dito mercado, só sossegarão quando derrotá-lo, na lei ou na marra.

O que está em jogo nas urnas do próximo dia 25, para além da vitória de Lula ou do herdeiro do terrivelmente malvado Bolsonaro, é o projeto de país que teremos no futuro, que em nenhum momento foi discutido durante o primeiro turno dessa eleição. Nem acredito que será agora.

No caso do Rio Grande do Norte, a verdade que não quer calar é uma só: a governadora Fátima Bezerra, que também apanhou de todo jeito durante seu mandato e sequer teve respeitado o seu direito de ser votada, consagrou-se como a maior vitoriosa dessas eleições.

O bom desempenho de seus dois principais candidatos, Cadu de Lula (candidato ao Governo), que jogou água no chopp do candidato que se julgava eleito, e a vereadora Samanda Alves (senadora eleita), comprovam sua força e trazem em si um certinho gostinho de justiça e a credenciam para novas empreitadas políticas.

Três deputados federais do palanque de Fátima e de Lula também chegaram lá: a mais votada Natália (PT), o médico oestano Dr. Bernardo (PV) e a apimentada Thabata (PV), que fez história ao se tornar a primeira mulher trans eleita pelo Rio Grande do Norte para a Câmara.

Na Assembleia Legislativa, a bancada do time de Lula e de Fátima cresceu com a eleição do vereador de Natal, Daniel Valença, e a reeleição dos atuais deputados: Francisco do PT, Isolda Dantas e Divaneide Basílio.
O cordão dos derrotados por Fátima é puxado pelo vice-governador Walter Alves que, na hora em que ela mais precisou dele, abandonou-a e foi apoiar o ex-prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra. O filho de Garibaldi foi o segundo mais votado do finado MDB e ficou chupando o dedo.

Zenaide Maia, que se elegeu há oito anos como sombra da governadora petista, seguiu o mesmo caminho de Walter e, apesar de liderar as pesquisas na corrida pelo segundo voto de senador, mudou de lado e acabou perdendo sua cadeira para a neófita candidata de Fátima.

O ex-governador Robson Faria também foi barrado no baile e outros nomes da linha de frente da campanha de mentiras e ataques contra Fátima, inclusive na imprensa, foram desmoralizados pela verdade das urnas.

Daqui a alguns dias, as campanhas do 2º turno recomeçarão e veremos então, como vitoriosos e derrotados se alinharão para a nova etapa desse jogo. Aí, como cantou o poeta Accioly Neto, até lá “pode acontecer tudo, inclusive nada”.

P.S.: Em tempo, o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, perdeu feio e quase não elege o filho deputado e que passou a campanha tentando nos convencer de suas obras inacabadas funcionavam, como o Hospital de Natal e a engorda (de bolsos) de Ponta Negra, entre outras, talvez esteja acreditando até agora que foi eleito.

Já posso ouvir Ivan Lins cantando ao longe: “desesperar jamais, aprendemos muito nesses anos, afinal de contas não tem cabimento entregar o jogo no primeiro tempo… Nada de correr da raia, nada de morrer na praia, nada, nada, nada de esquecer…”

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