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Intrigas no STF, desvio milionário em filme suspeito, campanha para presidente, desgoverno Trump nos EUA, mais mortes na faixa de Gaza, enfim, Brasil e o mundo pegando fogo. Mas o assunto da semana aqui neste país tropical foi outro: a festança organizada pelo banqueiro pilantra Daniel Vorcaro com luxuosa ajuda de Fábio Faria com 120 mulheres e 20 autoridades na boate paulistana Madame Satã, em 2023, que veio à tona com os vazamentos (seletivos, claro) de mensagens do celular de Vorcaro.
Claro, o brasileiro médio gosta de fofoca e de saliências e se preocupa mais com a vida alheia do que com bem estar social ou pautas coletivas. Tanto que o festim de Vorcaro e Fábio gerou inúmeros memes, vídeos, piadas e caiu no imaginário popular, principalmente no masculino com aquela inconfundível vibe eterna quinta série.
Convenhamos que a proporção 120 mulheres para 20 homens numa, digamos, festa, mexe com qualquer imaginário e atiça nossos instintos mais primitivos, parafraseando Roberto Jefferson sobre José Dirceu. O engraçado foi ver as piadas sobre essa “divisão”. Afinal, numa matemática simples, dá 6 moçoilas para cada participante. Mas na prática não funciona assim. Na verdade, este episódio me fez perceber que muita gente não tem a menor ideia de como funciona uma suruba. Ou acha que é uma bagunça completa, o que nunca é, ou então que é algo milimetricamente calculado (como a divisão de mulheres por homens), o que também nunca corresponde aos fatos.
Surubas têm dinâmicas próprias, entre a anarquia e algumas regras. Há quem prefira beber e contemplar o que acontece ao seu redor (o que aumentaria a “proporção” de moças para cada rapaz). Também há quem organize mini grupos em espaços pequenos com gêneros variados. Há trocas constantes e mudanças de dinâmica. Ou não.
Claro que estou falando de surubas que acontecem aqui embaixo, onde as leis são diferentes. O padrão Vorcaro/Fábio Faria é algo que está a anos-luz de nós, pobres mortais que temos boletos para pagar. Leio que na lista de mulheres, a prioridade era para estrangeiras, principalmente suíças (como Davi Alcolumbre gosta, segundo as mensagens) e russas. Mas na lista de nomes divulgada da festa da Madame Satã apareceu até mesmo uma cearense e uma pernambucana. Esta por sinal, já está usando o vazamento do seu nome como propaganda no Instagram (se quiser conferir: @kellytareal). Propaganda é a alma do negócio, como dizem.
Pelo menos meia dúzia de amigos perguntou, em tom bem humorado, se eu não tinha vontade de estar na festa. Pelo espaço, valeria a pena. Já fui no Madame Satã (cuja foto do salão ilustra este texto), fechado e reaberto algumas vezes, mas em uma noite gótica de banda de rock e cerveja na promoção. Mas, não, não teria vontade de participar de uma suruba com gente como os organizadores e citados. Gente que organiza festas com dinheiro roubado de aposentados (ou seja, público) e que organizava orgias no sigilo para no fim de semana se passar de evangélico na Igreja da Lagoinha ou arrotar casamento cristão com herdeira do SBT. Claro que é fácil ser a raposa que desdenha as uvas já que nem eu nem você que está lendo tem o menor cacife para uma farra onde participam banqueiros, ministros do STF, desembargadores, senadores, deputados. Putaria, sim, mas de elite.
Deus, Pátria e Família, e de vez em quando uma sururba no Madame Satã. Não daria para mim, não. Festa estranha com gente esquisita. Melhor voltar ao plano de Tambaba, com gente pelada, feliz e que se diverte sem jogar conservadorismo na cara de ninguém e sem assaltar os cofres públicos.
