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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, encomendou ao publicitário Thiago Miranda um dossiê contra o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, aponta a investigação da Polícia Federal que resultou em buscas e apreensões na tarde desta quinta-feira (9).
Nos diálogos sobre Maluhy, Vorcaro diz que ele está lhe “causando muito problema”. “Me ajuda nisso?”, pediu o ex-banqueiro. O publicitário responde: “Deixa comigo”.
A decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a operação desta quinta contra Miranda, diz que o CEO é uma “potencial vítima da devassa encomendada por Daniel Vorcaro”.
Segundo o ministro, a investigação aponta que, dentre os materiais compartilhados pelos dois interlocutores, “destaca-se um documento contendo informações pessoais e patrimoniais de
Milton Maluhy Filho e de Camila Moretti Maluhy”.
“A análise do arquivo permitiu verificar a presença da identidade visual da Agência Mithi, empresa vinculada a Thiago Miranda, em circunstância que sugere que o documento tenha sido produzido, editado ou, ao menos, circulado no âmbito da referida estrutura empresarial”, diz Mendonça, em sua decisão.
“O arquivo é intitulado ‘Família Maluhy Relatório sobre Execução Fiscal – Caso Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy’, contendo expressamente o aviso de que se trata de ‘informações confidenciais’.”
A reportagem procurou a assessoria de imprensa do Itaú por mensagem, mas ainda não houve manifestação. O publicitário também foi procurado, mas não se manifestou até a publicação deste texto
A operação desta quinta, a 10ª Fase da Compliance Zero, teve Miranda como principal alvo. Ele foi contratado para o projeto de gestão de crise de Vorcaro, que envolveu ataques ao Banco Central.
Diálogos entre o ex-banqueiro e Miranda, entre março e abril de 2025, também mostraram que os dois queriam “frear” o trabalho da jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, realizando uma busca por seus dados privados.
Foram apreendidos celulares e demais equipamentos eletrônicos utilizados pelo publicitário em sua residência. De acordo com a PF, a ação apura a atuação coordenada em redes sociais voltada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil.
As investigações apuram, ainda, a atuação de possível organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, à obtenção indevida de informações sigilosas e à adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.
Segundo a PF, os fatos investigados podem, em tese, configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos correlatos, incluindo possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.
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