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Por Elane Nascimento
Morreu nesta quinta-feira (25), aos 51 anos, a jornalista Helga Oliveira, uma das pioneiras da cobertura esportiva no Rio Grande do Norte e voz atuante na conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Helga estava internada há 19 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Policlínica e não resistiu às complicações de uma pneumonia agressiva. Ela convivia há cinco anos com um quadro de leucemia crônica e completaria 52 anos neste sábado (27).
O velório será realizado a partir das 7h30 desta sexta-feira (26), na sala de velório central do Cemitério Morada da Paz, em Emaús. O sepultamento está marcado para as 10h30, também no Morada da Paz.
Figura conhecida do público potiguar, Helga construiu uma trajetória marcada pela competência profissional, pela defesa de causas sociais e pela dedicação à família. Nos últimos cinco anos, conviveu com um quadro de leucemia crônica e já mantinha uma rotina de tratamento. Na semana passada, porém, uma gripe evoluiu para uma pneumonia severa, agravando seu estado de saúde.
Na quarta-feira (24), Luís Henrique havia compartilhado uma atualização sobre a recuperação da esposa, classificando os avanços observados como “pequenos milagres”.
“Ao longo dos últimos dias, Helga apresentou um quadro de estabilidade e melhora diária. Pronar e supinar o seu corpo foi a estratégia que se firmou como a mais exitosa. Apesar dos avanços, que eu chamo de pequenos milagres por dia, o quadro ainda é delicado”, publicou.
Na mesma mensagem, agradeceu à equipe médica responsável pelos cuidados da jornalista. “Deus abençoe a vida de cada um de vocês”, escreveu.
Na tarde de quinta-feira, o marido, jornalista, comunicador e professor de oratória, Luís Henrique, fez um registro nas redes sociais. Em uma mensagem breve e emocionada, ele escreveu: “Nossa galega descansou”.
Legado no jornalismo
Em nota de pesar, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte (Sindjorn) destacou a importância da trajetória de Helga para o jornalismo potiguar.
“Pioneira na cobertura esportiva no Rio Grande do Norte, Helga construiu uma trajetória marcada pelo profissionalismo, competência e coragem, abrindo caminhos para muitas mulheres em uma área historicamente ocupada por homens. Seu trabalho deixou uma contribuição importante para o jornalismo potiguar”, afirmou a entidade.
O sindicato também ressaltou a atuação da jornalista na defesa das pessoas com autismo.
“Além de sua atuação profissional, Helga transformou sua experiência como mãe em uma causa de conscientização e inclusão, tornando-se referência na defesa das pessoas com Transtorno do Espectro Autista e na promoção do diagnóstico precoce”, destacou a nota.
A Federação Norte-Rio-Grandense de Futebol (FNF) também divulgou uma nota de pesar pela morte da jornalista, destacando sua referência no jornalismo esportivo feminino.
“Helga foi destaque na cobertura esportiva no Rio Grande do Norte, se tornando referência no jornalismo esportivo feminino. Em sua homenagem, a FNF determinou a realização de um minuto de silêncio nos jogos a serem realizados no Rio Grande do Norte neste fim de semana, válidos pelo Campeonato Brasileiro Série D e Campeonato Potiguar Sub-17. A FNF lamenta a perda de Helga e envia solidariedade a seus familiares e amigos da comunicadora”, enfatizou.
Amigos se despedem de Helga Oliveira: “Quanta luz você espalhou por aqui”
O pioneirismo, profissionalismo e amizade de Helga foram lembrados por colegas de profissão com homenagens nas redes sociais.
A notícia da morte da jornalista Helga Oliveira, ocorrida nesta quinta-feira (25), provocou uma onda de homenagens de amigos, colegas de profissão e instituições.
A escola de comunicação Vox2you Natal destacou a capacidade de Helga de transformar vidas por meio da comunicação.
“A comunicação tem um poder único: o de eternizar quem a pratica com o coração. Hoje nos despedimos da querida jornalista Helga Oliveira. Sua trajetória é luz e inspiração. Helga, sua história foi linda e sua voz ecoará para sempre em nós”, publicou.
O jornalista Chrystian de Saboya relembrou momentos de amizade e convivência com quem chamava carinhosamente de “Helguinha”.
“Passou um filme colorido pela minha cabeça trôpega diante da notícia da passagem da minha tão querida Helguinha Oliveira. Tempos bons, onde Natal celebrava com festas memoráveis. Helguinha sempre comigo, num abraço carregado de torcida e felicidade”, escreveu.
Ao final da homenagem, ela direcionou uma mensagem aos dois filhos e ao marido da jornalista.
“Eu coloquei meus joelhos no chão, lágrimas correram dentro e fora de mim e… oh Deus… ninhe, acarinhe, proteja e abençoe os três meninos de Helguinha”, rogou.
“Helga abriu caminhos no RN para muitas mulheres jornalistas, na mais masculina das editorias: o esporte!”, escreveu Margot Ferreira destacando o pioneirismo de Helga na cobertura esportiva no Estado. A jornalista também relembrou a amizade entre elas.
“Eu e ela tínhamos uma relação de sorrisos, cafés e alguns planos. Chegamos a sonhar juntas, durante um tempo, com um programa de Turismo para a TV brasileira: “O Giro”. Gravamos o piloto na Pipa, mas o projeto não foi adiante. Que pena… Vasculhando hoje meus álbuns de fotografia, me deparo com vários registros da nossa amizade leve, que foi se diluindo com o passar do tempo. Mas os momentos mais importantes e inesquecíveis, talvez sejam exatamente aqueles sem foto nenhuma, sem registro algum. Assim como foram os nossos papos, cheios de risadas depois um plantão de sábado exaustivo, escoradas no teclado do computador, ou sentadas nas desconfortáveis cadeiras de ferro da lanchonete”, lembrou Margot.
A jornalista Liziane Virgílio destacou a parceria construída ao longo dos anos no jornalismo esportivo.
“Eu tive a felicidade de começar no jornalismo esportivo ao lado de uma das minhas referências. Durante os anos que trabalhamos juntas, nunca houve ciúmes ou concorrência. Era parceria de verdade. Como é difícil se despedir de quem é parte da nossa história”, escreveu.
A jornalista Ana Karla Martins agradeceu à Helga pelas portas abertas e referência para sua trajetória profissional.
“Helga foi referência para mim. A porta que ela abriu para as mulheres no esporte, aqui em Natal, foi fundamental. Obrigada por tudo e que Deus e Nossa Senhora a receba em luz”, postou.
Andreia Ramos lembrou da amiga, da mãe e da profissional que Helga foi.
“Vi estes meninos na barriga. Vi nascer uma mãe-leoa. Vi uma profissional incrível atuando. Vi uma amiga leal. O exemplo que você deixa é gigantesco, galega linda”, declarou.
O comunicador Bruno Giovanni relembrou uma amizade de mais de quatro décadas, iniciada ainda na infância.
“Hoje perdi minha primeira grande amiga. Uma amizade de 45 anos. Foi Helga quem me apresentou minha primeira paquera. E fui eu quem lhe apresentou o grande amor da sua vida, seu marido, Luís Henrique”, relatou.
Ao amigo, Bruno deixou uma mensagem de apoio.
“Ao meu grande amigo Luís, peço a Deus que lhe conceda força, consolo e serenidade para atravessar esse momento tão difícil”, escreveu.
O jornalista Gustavo Negreiros relembrou os tempos de faculdade e a amizade que atravessou décadas.
“Éramos daqueles grupos que se formam nos primeiros dias de aula e que a vida vai confirmando ao longo dos anos. Cada um seguiu seu caminho, mas nunca nos perdemos. Era aquela amizade que não precisa de frequência para existir”, afirmou.
Já o secretário de Comunicação do Estado, Daniel Cabral, que também iniciou a amizade nos bancos da faculdade, prestou solidariedade à família e destacou o legado deixado pela jornalista.
“Querida amiga Helga, quanta luz você espalhou por aqui. Que siga, ao lado do nosso Deus, a linda missão de cuidar de todos que ficam. Luís Henrique, toda força para você e os meninos”, declarou.
A secretária de Comunicação de Natal, Criz Vidal, destacou o profissionalismo de Helga e sua dedicação à família.
“Hoje o jornalismo potiguar recebeu uma notícia muito triste. Nos despedimos de Helga Oliveira. Helga de Luis Henrique, de Pedro e Caio. Que foi referência no jornalismo esportivo e no telejornalismo, na Herbalife, na maternidade atípica sendo voz para muitos e principalmente, referência em ser tão querida e muito do bem. E isso ficou ainda mais evidente na corrente de orações por sua recuperação, que uniu tanta gente em tantos lugares do mundo. LH, meninos e família, que a fé seja a força para sustentar nesse momento. Como já disse: somos muitos por vocês”, disse.
Thaisa Galvão destacou a trajetória profissional de Helga e seus desafios como mãe atípica.
“Dia triste para a família, para os amigos, para os admiradores dela que durante sua carreira no jornalismo se destacou como repórter esportiva na então TV Cabugi, e como empresária deixou a marca, junto ao marido, na Herbalife, onde o casal criou uma rede. Como mãe, ela enfrentou outros desafios e fez parte de campanhas para fazer o mundo entender mais sobre o autismo e tratar o tema com o respeito merecido”, escreveu.
Helga Oliveira encerra uma trajetória marcada pela dedicação ao jornalismo, pelo pioneirismo na cobertura esportiva e compromisso com causas que ajudaram a transformar a vida de muitas famílias potiguares.
Seu legado, no entanto, não se apaga, antes permanece vivo na profissão, entre amigos, colegas e nas inúmeras pessoas que foram impactadas por sua atuação dentro e fora das redações.



