|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Hortelã, capim-santo e erva-cidreira aparecem no centro de uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) sobre o uso de plantas medicinais por mulheres da zona rural de Caraúbas. O estudo mostra que essas espécies seguem presentes no cotidiano das comunidades, sobretudo como recurso para aliviar dores de cabeça e ajudar a acalmar, quase sempre em forma de chá.
A investigação foi desenvolvida na Faculdade de Enfermagem da Uern e analisou o conhecimento e o uso de plantas medicinais por mulheres de comunidades tradicionais do município. A pesquisa foi coordenada pela professora doutora Líbne Lidianne da Rocha e Nóbrega, pesquisadora do GP Forte, com a colaboração da estudante de enfermagem Salisa Duarte Medeiros.
Entre todas as plantas mencionadas pelas entrevistadas, o hortelã desponta com folga: foi citado por 92,7% das mulheres ouvidas. Em seguida aparece o capim-santo, lembrado por 84,5%, e depois a erva-cidreira, mencionada por 41,2%. O levantamento indica que as folhas são a parte mais utilizada dessas plantas, inteiras ou trituradas, o que aponta para um uso doméstico simples, incorporado à rotina de cuidado.
As três espécies mais recorrentes também concentram as finalidades mais citadas no estudo. Segundo as participantes, hortelã, capim-santo e erva-cidreira são usados principalmente para “aliviar dores de cabeça” e “acalmar”. O chá foi apontado como a forma de consumo mais comum entre as mulheres entrevistadas.
Os dados foram coletados por meio de questionários aplicados a mulheres com mais de 20 anos na Unidade Básica de Saúde Joel Ferreira Ramos, escolhida por sorteio. Localizada no Assentamento 1º de Maio, na zona rural de Caraúbas, a unidade atende moradores dos sítios KM 101, Canto do Feijão, Baixa do Feijão, Inharé, Baixa do Correio, Recanto e do Assentamento Nova Morada.
De acordo com Líbne Nóbrega, os resultados têm forte relação com a cultura popular, a tradição familiar e a busca por formas naturais e acessíveis de cuidado. Na avaliação da pesquisadora, o estudo chama atenção para a importância de valorizar os saberes tradicionais, já que muitas plantas seguem sendo usadas como alternativas terapêuticas complementares ao tratamento de doenças.
Essa prática, antiga e repassada entre gerações, também encontra reconhecimento institucional. O Sistema Único de Saúde (SUS) validou uma lista com mais de 70 espécies com eficácia comprovada, dentro de uma proposta de ampliar o acesso seguro da população a plantas medicinais e fitoterápicos, além de estimular o uso racional desses recursos.
⇒ Conheça mais sobre as pesquisas na Uern na Plataforma Uern Ciência – Clique Aqui.
