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Os servidores técnico-administrativos da UFRN, filiados ao Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação no Ensino Superior (Sintest), aprovaram uma greve a partir da próxima segunda-feira (23). A decisão ocorre após quase um ano em estado de paralisação. Eles cobram o cumprimento integral do acordo de greve firmado com o governo federal referente ao movimento paredista de 2024 e dizem que 17 pontos não foram cumpridos.
A greve foi aprovada em assembleia geral realizada na manhã desta quinta-feira (19) no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM). Ao todo, 53,5% dos votantes (68 votos favoráveis) apoiaram a paralisação. Houve ainda 41,7% contrários (53 votos) e 4,8% de abstenções (7 votos).
O centro do debate foi o não cumprimento integral do acordo de greve, com ênfase na exclusão dos aposentados do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e na ausência de avanços em pautas estruturais, como a implementação das 30 horas para todos.
“A categoria em nível nacional está fazendo avaliações e assembleias para aprovar o indicativo a partir do dia 23”, diz Robertinho Silva, da direção do Sintest.
Ele explica que hoje a Fasubra, federação que reúne os sindicatos de trabalhadores técnico-administrativos em instituições de ensino superior públicas, possui 50 sindicatos filiados; no placar até a manhã desta sexta-feira, 21 já aprovaram greve e 11 se colocaram contra.
“A greve, nesse momento, vai ser praticamente em todo o Brasil, nas universidades que já aprovaram. E aqui não é diferente. A partir do dia 23 vai ter uma assembleia para instalar o comando de greve, para a gente organizar as comissões e já começar a nossa greve”, afirma.
Segundo Robertinho Silva, a greve será por tempo indeterminado.
“Quando começar não tem período de terminar. E o desdobramento é no dia a dia, fazendo os debates, as atividades, os piquetes, as cobranças.”
As aulas do semestre 2026.1 na UFRN estão previstas para começar em 2 de março. Na Ufersa, em que o Sintest também representa os trabalhadores técnico-administrativos, foi aprovado um indicativo de greve para o dia 26 de fevereiro.
Os servidores técnico-administrativos da UFRN ficaram em greve de março a junho de 2024. Na época, a insatisfação da classe aconteceu em decorrência da proposta de reajuste 0 para os servidores em 2024.
Divergências
A assembleia foi marcada por posições divergentes. Parte da direção e da base avaliou que uma greve imediata poderia atrasar a implementação do RSC, uma vez que a comissão responsável pela análise dos processos poderá ter seus trabalhos impactados. Houve também alerta quanto ao cenário político nacional e aos riscos de desgaste da categoria perante a sociedade.
Por outro lado, os defensores da paralisação sustentaram que o governo vem apostando no esvaziamento da mobilização e que a ausência de pressão compromete a efetivação de direitos. Ressaltaram que o movimento é necessário para assegurar não apenas o RSC, mas todos os pontos acordados e ainda não cumpridos.
Com a greve aprovada, a direção do sindicato comunicará formalmente o reitor da UFRN e convoca a categoria a participar ativamente das mobilizações. A orientação é fortalecer a organização e ampliar a adesão nas próximas semanas. As informações sobre a deflagração da greve, prevista para a próxima segunda-feira (23), serão divulgadas em breve nos canais oficiais do sindicato.
