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2026 é logo ali. Ou o teatro das ilusões

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Eleições no Brasil é um acontecimento que, mesmo ocorrendo a cada dois anos, mexe com a mente, o coração e a emoção de muita gente, tão logo se encerre uma e proclame-se os vencidos e derrotados daquele ano. Interessante que esse monte de gente que “vive em polvorosa” com os processos políticos e eleitoral, não é o eleitor, cidadão comum que por dever e obrigação constitucional, tem de comparecer diante da urna eletrônica e sufragar os seus escolhidos.

Essa gente toda que não para de pensar e discutir eleições, candidatos, acordos, conchavos e mantêm a atividade em efervescência, são, em sua ampla maioria, os próprios políticos, os assessores e jornalistas que precisam manter vivos o antagonismo e a produção dos balões de ensaio para fazer girar a roda da política.

Essa é uma cultura que se estabeleceu no país desde os primórdios da República, e tem ganhado força nos últimos anos, não como uma prática de ampliação do debate político, mas sim como estratégias de encobrir, por exemplo, o baixo desempenho de parlamentares, os baixos índices de aprovação de uma gestão e muito em satisfazer egos – sim, político é o ser cujo ego é de um tamanho descomunal, ainda que eles neguem e morram dizendo o contrário. Além, é claro, de manter as pautas das editorias políticas nos meios de comunicação bem azeitadas e em permanente evidência.

Pensar na próxima eleição assim que acaba uma, tem sido também um desserviço à sociedade. Pouco, ou muito pouco mesmo se debate o que realmente interessa ao cidadão.

O debate sobre políticos se espraiou por todos os rincões e recantos. Vejamos a ocupação do tema nos templos religiosos, para citar um exemplo; tema esse mais aprofundado nos templos das denominações ditas evangélicas. O púlpito para se proclamar a fé em Deus, por exemplo, se transformou num palco político, onde pastores se transformam em cabos eleitorais. Não de Jesus, mas de políticos que são vendidos como verdadeiros salvadores da pátria, com seus nomes cultuados como forma de fixação junto à mente do rebanho incauto.

Aliás, o termo rebanho cai bem para justificar não as ovelhas ou o cordeiro de Deus, mas as pessoas que, ao buscarem um mínimo de conforto na ampliação da sua fé, caem nas armadilhas da retórica, do discurso inflamado e em narrativas que têm a fé como pano de fundo, para justificar preferências e interesses sobre personagens; e não naquilo que poderia vir a ser o alento, como ajuda divina, para os boletos que se acumulam na estante de casa.

Debater os problemas do bairro, as questões vitais de uma cidade, como transporte público, acessibilidade, segurança, creches para crianças e tantos outros, perdeu espaço para a discussão sobre quem é o melhor para governar ou representar o coitado do eleitor que só se torna herói naquele período fantástico em que tudo passa a ser maravilhoso, e todos os problemas serão resolvidos num passe de mágica.

A campanha eleitoral é realmente inebriante. E o cidadão que nesse momento ganha importância por ser ele, um eleitor, aquele que tem a “arma” para mudar tudo o que está posto, passa a acreditar que realmente aquela figura que há meses, anos, vem sendo falada, lembrada, cultuada pela mídia, nas redes sociais, nos templos religiosos, nos botequins vai, de fato, salvar a sua vida e a da sua cidade, estado ou país.

A política, lamentavelmente, passou a ser um jogo ilusório, onde a desfaçatez tomou o lugar do comedimento, da vergonha. A ética e a moral cederam espaço para o descaramento e a falta de pudor. Um palco livre em que tudo pode, desde que a mensagem convença o eleitor.

Num país em que a ignorância ainda é moeda de troca no campo eleitoral, as promessas divinas e redentoras abrilhantam os palanques de uma campanha, criando um ambiente de fascínio. As redes sociais passaram a ditar comportamentos e a conduzir as pessoas para uma catarse sem precedentes. O debate raso sobre política, cidadania, respeito e direitos foram transformados em nuvens de fumaça, balões de ensaio, jogos de palavras e narrativas absurdas simplesmente com o objetivo da manutenção de um ideário que não significa, necessariamente, a expectativa dos cidadãos.

Trazer a próxima eleição, antes mesmo da atual terminar, é trair os valores mais essenciais que existem na política. É subjugar o eleitor; é encobrir a baixa qualidade de quem nos representa e tentar, de maneira dissimulada, vender a ilusão de um mundo perfeito. É, no teatro das ilusões o jogo é bruto.

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